
Esta deve ser minha milésima tentativa de romper o bloqueio que matou o Psicotópicos (meu único blog bem-sucedido em anos) em 2006. Lá se vão dois anos de contribuições pífias à blogosfera. Eis que agora, com duas latas de cerveja na cabeça (no sentido figurado, porque não tenho equilíbrio para manter duas latas na cabeça sem deixar cair) dou início à minha milésima primeira tentativa. Queria soltar um “agora vai” antes de postar este texto de abertura, mas não devo ser tão otimista. Vamos começar esta bodega e ver no que dá…
Eu bem que queria escapar do clichê e não começar com um daqueles textos bobões que tentam justificar para o (i)mundo os motivos que me levaram a construir um blogue. A verdade é que, como a imensa maioria dos diarinhos, este Ababelado Mundo nada tem a acrescentar. Sua única contribuição é potencializar ainda mais este diálogo de loucos: o lado second life da vida. Este blogue só existe porque hoje é assim: a gente pensa que pensa e pronto: cria um blogue. É a atualização do pensamento cartesiano: cogito, ergo blogo. Ter um blogue é, sobretudo, uma maneira de alçar o véu de Maya ao status de verdade absoluta. É admitir que, no (i)mundo em que Deus é considerado a ilusão mor, a única alternativa é fazer da ilusão nossa deidade, erigindo para ela um altar – feito de bits e bytes – no qual depositaremos nossas oferendas, na forma de músicas em MP3, vídeos para o youtube ou posts para o WordPress. Porque, sim, as ferramentas são nossos santos. Operam como mediadores capazes de levar nossas preces ao deus Internet, como pontes que nos dão acesso à divina digitalidade.
É assim, com esta justificativa eloqüentemente cretina, que justifico a existência deste blogue para mim mesmo – e para o (i)mundo.