Renascimento

É. Parece que a Preta Gil está fazendo escola. Pesando 80 kg e vestindo manequim 42, a inglesa Chloe Marshal é uma das candidatas ao Miss Inglaterra deste ano. A moça já venceu todas as etapas regionais do concurso e está classificadíssima para a competição nacional. O próximo passo, ao que tudo indica, é concorrer a uma vaga no BBB9.

São os ventos da mudança. Já tem gente que acha a Queen Latifah super sexy e há até quem prefira ela a Gisele Bündchen, em Taxi! Reparem na Britney Spears: ela nunca recebeu tanta atenção da mídia desde que sua cinturinha de dançarina deu lugar ao estilo pilãozinho. No Brasil, a prova cabal de que o padrão slim está perdendo terreno é a Mulher Melancia!

Fiquei com vontade de ler A História da Beleza, do Humberto Eco, pra entender melhor como se desenvolve ao longo do tempo essa questão. Pelo que li, os princípios matemáticos sempre foram o parâmetro mais “confiáveis” para estabelecer os critérios do que é belo ou não. Mas, para o Eco: ”Parece que em todos os séculos se falou da Beleza da proporção, mas que segundo as épocas, apesar dos princípios aritméticos e geométricos declarados, o sentido dessa proporção foi mudando”.

O tom de piada dos dois primeiros parágrafos denuncia minhas preferências (e meus preconceitos), mas talvez esconda algo que eu quero dizer a sério mesmo: o conceito de beleza hoje, no fundo, encontra-se cada vez mais elástico. Apesar da grita geral em torno da ditadura da moda, o fato é que um maior número de coisas (e pessoas) podem ser classificadas como belas em nosso tempo.

Quem sabe um dia eu tenha essa honra!

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