Sobre listas, músicas e categorias

Não sei se é um traço cultural, mas o Nick Hornby não é o único inglês com mania de fazer lista de quase tudo. Volta e meia alguma publicação britânica publica uma lista suspeita, sobre um assunto obscuro e me faz lembrar do Bruno a sua “melhor cena de vaso de todos os tempos”.

Bruno faz o tipo empolgado, daqueles que coleciona revistas em quadrinhos e tenta convencer as pessoas de que Sandman é uma espécie de livro sagrado, capaz de revelar as grandes verdades do universo. Para ele, a série é uma espécie alcorão, upanishad, talmude ou coisa parecida. Só que feito para pessoas com dificuldades de entendimento. Aquelas às quais, depois de uma explicação, você pergunta: “Entendeu ou quer que desenhe?”. (Neil Gaiman era altruísta: desenhava).

Quando quer nos convencer de que algo que ele gosta merece nossa atenção, mesmo que seja um anime japonês de origem duvidosa, Bruno solta: “Mas é o melhor desenho japonês de samurai com espada gigante de todos os tempos!!!”. Com um escopo tão bem definido, não há como contestar. Você concorda com ele, mas fica com aquela sensação de: “Sim, e daí?”.

Mas os ingleses não são como o Bruno, tão taxativos. Para estabelecer suas listas eles promovem votações informais, com critérios nem sempre identificáveis. Com essa premissa, o The Guardian já cometeu a heresia de dizer que o Velvet Underground foi uma banda mais influente que – yah-há! – os Beatles!!!

Hoje, no entanto, tomei ciência de uma lista organizada pelo site Gigwise.com e tive uma grata surpresa. A busca é pela melhor trilha sonora de todos os tempos. Nos cinqüenta mais, estão desde o recente Juno, e sua toada indie, na 49ª posição, até o clássico Apocalipse Now, com seus acordes homicidas que vão de Wagner a The Doors. A lista passa ainda por 8 Miles (50º), o filminho do Eminen, American Graffit (42º), o melhor filme do George Lucas, Kill Bill (41º), injustamente mal classificado, Clube da Luta (35º), Blade Runner (31º), com musiquinha de motel e tudo e Cães de Aluguel (30º), outro injustiçado, que ficou atrás de Virgens Suicidas.

Mas tem muita coisa lá que vale a pena conferir. Pros curiosos, adianto logo: a trilha vencedora foi a de Trainspotting! E nisso não há injustiça. É genial mesmo. Pulp Fiction foi ficou em segundo lugar.

A propósito, Alta Fidelidade, é claro, faz parte da lista.

BÔNUS TRACK

Comentários do Bruno depois da leitura prévia deste post:

Bruno: Vá a merda! Eu não sou assim não. Nem acho Sandman um livro sagrado. Só é a melhor narrativa seqüencial sobre seres eternos e que não são deuses com personagens bonitinhos e ao mesmo tempo sombrios de todos os tempos.  Digo essas coisas só para reforçar posicionamentos.

Eu: Eu sei. Leu o trecho do samurai?

Bruno: Sim. Mas o cara nem é um samurai, é um mercenário, seu burro. E não confunda com Ronin, hein! É mediaval europeu fantástico, com um tiquinho de mitologia influenciada pela cultura (óbvio) japonesa.

2 Responses

  1. sensacional! preciso me familiarizar com as dicas do bruno. a apresentação da lista pelo gigwise é muito ruim! você não consegue ter uma visão geral, pô!

    marcelo - Maio 27, 2008 at 2:57 pm
  2. Maikel: vá a merda de novo!

    Mas que a melhor cena de vaso do cinema de todos os tempos está em algum lugar entre Grande Lebowski (”acho que vi o dinheiro aqui no fundo”) e Sandos Assassinos (pulando do terceiro andar com o vaso na mão), ah, isso está.

    Bruno - Maio 27, 2008 at 5:31 pm

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