“Featuring a bizarre image of a man touching a woman on a train, it warns you to “Beware of Perverts” (Chikan chuui), with “Dangerous Persons are in this Area” below. A truly bizarre message and image that will cause confusion and funny reactions among Japanese who see it”.
A história foi mais ou menos assim. Helena, minha colega de trabalho, contava sua experiência traumática numa das raras incursões suas num coletivo. De acordo com ela, um homem de aparência sombria começou a espiá-la no ponto de ônibus, deixando-a desconfortável. Quando ela embarcou, lá estava o cara, seguindo-a. Nisso um simpático – e gigantesco – operário da construção civil perguntou ao cobrador onde ficava um determinado lugar, ao que ela atendeu solícita: “Ah, moço, eu sei onde é, aviso quando passarmos por lá”. A idéia foi boa. Funcionou. Diante da recente amizade dela com o armário, o perseguidor sentiu-se intimidado e desceu no ponto seguinte.
“Dei sorte, escapei de um assalto”, ela disse. “Assalto nada, Helena, o cara queria é te bulinar!”. “Eu heim, acho que você que é meio pervertido, fica vendo bolinação onde não tem”. “Eu não, não sou japonês”, argumentei, convicto. Ninguém entendeu.
“Como assim? O que tem a ver uma coisa com a outra?”.
“Ué, japonês bolina!”.
“Como?”
“Ah, vão dizer que não sabiam disso? É prática comum no Japão. Eles adoram bolinar mulheres no metrô. O vagão das mulheres foi inventado em Tóquio por conta disso, porque japoneses bolinam”.
“Ei, Vivi, ouve essa”, disse Helena, dirigindo-se à recepcionista do andar, que estava sentada atrás de um balcão. “Ele tá dizendo que japonês bolina, sabia disso?”.
“Ah, é?, perguntou a menina.
“Mas bolina mesmo, gente, tem até bares que simulam vagões de trem e são freqüentados por homens que querem bolinar e mulheres que querem ser bolinadas”.
A conversa seguiu neste nível e, empolgados, não percebemos que alguém se aproximava, em busca de informação.
“Oi… eu queria saber onde fica a sala 803”, perguntou o recém chegado.
Olhamos todos ao mesmo tempo para o sujeito e adivinhem nossa cara de surpresa quando identificamos o cabelinho escorrido e os olhos puxados. Foram dois segundos de silêncio mortal até a frase bombástica!
“Calma aí, eu sou chinês!”
O constrangimento era nítido, mas é como diz o ditado: o que é um peido pra quem está cagado?
“Ah, bom! Ainda bem, já estava me protegendo aqui!”.
“É, chinês tudo bem, quem bolina é japonês, hahaha, hihihi”.
Depois de muito riso, oh, muita alegria, o chinesinho foi embora, sob olhares de desconfiança. E nós, vítimas em potencial, ficamos pensando: quais as chances de uma coincidência dessas se repetir?
Por via das dúvidas, toda vez que vou contar essa história pra alguém, olho primeiro para os lados. Sabe-se lá, vai que aparece um bolinador…
