a platéia pega fogo quando rolam os festivais

ontem descobri-me velho. cercado pela multidão de posers e playboys que constituem maioria absoluta no tim festival, atingi os níveis mais elevados de tédio – níveis outrora inimagináveis em semelhante contexto. em meio à pirotecnia do show de kanye west, lá estava eu: cindido. a balburdia era silêncio; a multidão, deserto. submerso em meus pensamentos, contemplei a epifania: “eu não sou daqui (marinheiro só)”. no me gustan la euforia, nem as paramentas – as indies, com seus piercings; os boys, com seus braços. meu mundo caminha para o noir et blanc. digo amém. começo a experimentar o silêncio. pela primeira vez. e é bom. só, assim, invento o sentido: invento-me. hoje, passado deslumbramento inicial do “terra à vista”, voltei para minha casa: o barco. doce é renascer no mar.

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