“Creio que a liberdade se torna uma questão efetiva quando há uma carência prática dela. Quando uma pessoa quer fazer alguma coisa, e algo a impede, o problema da liberdade vem à tona. Essa aspiração à liberdade está sempre ligada a alguma interdição, alguma restrição ou algum obstáculo. É isso o que se chama de libertação de: libertar-se da violência, de um regime que nos oprime, da doença, da pobreza, do nosso corpo enfim (o corpo como o cárcere da alma, visto que o corpo não deixa a alma se emancipar). Mas também há liberdade para, isto é, o problema da liberdade surge quando queremos alcançar algo, realizarmo-nos, e nos perguntamos se isso é possível”.
Boris Groys
“A interdição de certas coisas é por vezes tão encantadora que não se tem como não fazê-las. É por isso que todo tipo de obrigação me é cara: porque nos possibilita a alegria da transgressão. Se não houvesse nenhum mandamento neste mundo, nenhuma obrigação, eu morreria, pereceria de inanição, me estropiaria de tédio. Que me incitem, pois, que me obriguem e tutelem. Acho absolutamente adorável. No fim, quem decide sou eu e ninguém mais. Sempre enfureço um pouquinho a testa enrugada da lei; depois trato de acalmá-la”.
Trecho de Jacob Von Gunter, de Robert Walser
“Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”.
Cecília Meireles