Ababelado?

ababeladobama2Já fui jornalista, hoje estou burocrata. Já fui meio intelectual, meio de esquerda, hoje estou “neoliberal do caralho”, que é como me definem alguns colegas mais ou menos idealistas. Não sou nem uma coisa nem outra. Faço parte dessa massa amorfa que o mundo resolveu chamar classe média. E isso diz muito de mim.

Já fui mais ferrado em alguns momentos da vida. Mais feliz em outros. Atualmente, vou muito bem, obrigado. Não tenho muitos sonhos, mas talvez gostasse de ser dono de um barzinho bacana numa praia paradisíaca e pouco movimentada. Trabalharia de sandálias e colocaria as músicas que gosto, para reeducar meus clientes. Quem sabe, vendesse livros  e servisse café.

Para os astrólogos de plantão interessa dizer que nasci em 4 de julho de 1981, às 7h30, no interior do Rio Grande do Sul. O lado bom de ser canceriano eu ainda não descobri. O lado ruim de nascer em 4 de julho é ouvir o comentário inevitável – “Dia da Independência dos Estados Unidos!” – e ter que responder, entre irritado e sem graça, que não vi o filme de Oliver Stone até o fim.

O lado bom de ter nascido no Rio Grande do Sul é ser torcedor do Grêmio. Ponto.

Mudei para o Espírito Santo aos 15 anos e não sinto saudades. Sou desgarrado mesmo. Atualmente, moro no Rio de Janeiro e tenho me esforçado bastante pra gostar daqui. Às vezes sinto saudades do Espírito Santo.

Leitor apaixonado (mas preguiçoso), adoro cinema, mas odeio cinéfilos. Tenho uma cicatriz no pé, uma na testa e uma no braço. Sofri um acidente de carro uma vez, mas não tive maiores problemas. Já tive moto, por três anos, e gostei muito. Nunca caí.
 
Fumo. Penso em parar, quem sabe daqui dois anos, mas isso ainda não é uma resolução. E eu bebo, sim, e estou vivendo. Adoro beber cerveja de garrafa no coreto da Praça São Salvador e acho que o chope da Devassa é um dos melhores do país. Adoro o Flamengo (o bairro). Odeio o Flamengo (o time). Já tive um cachorro que foi assassinado por um cavalo e depois nunca mais tive outro. Nem pretendo. Já gostei de Bob Marley, mas hoje já não gosto tanto assim. Já gostei de Pink Floyd, mas hoje já não gosto tanto assim. Já gostei de um monte de gente. Hoje, não gosto de tanta gente assim. Gosto de poucas. E boas. Mas costumo me relacionar bem com todas.
 
 Sou meio compulsivo. Sou capaz de ficar meses pensando num jogo que não consigo zerar ou relendo um livro de filosofia que me faz entrar em parafuso. Às vezes, cismo com um diretor e fico semanas assistindo tudo dele que me cai nas mãos. Foi assim que vi todos os filmes do Scorsese e passei um fim de semana inteiro imerso na obra de Ozu (vi todos os títulos que estavam disponíveis na locadora).

Posso roer as unhas quando estou ansioso. Posso ficar rabugento quando estou roendo as unhas. E posso mudar de idéia e rir feito louco de uma hora pra outra. Às vezes, é difícil conviver comigo.

Se ainda estiver curioso, você pode ler o blog. Tem muito de mim espalhado entre um texto e outro. Vasculhe os arquivos, não me importo. Eu mesmo faço isso pra entender como posso mudar de idéia tão fácil.

No mais, seja bem vindo.

Uma resposta

  1. Meu caro Ababelado,
    Boa sorte na tua compra do Cortázar.
    Fica bem. Abraço,
    Juva

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