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	<title>Ababelado Mundo</title>
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		<title>três sobre a liberdade</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 12:38:20 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Creio que a liberdade se torna uma questão efetiva quando há uma carência prática dela. Quando uma pessoa quer fazer alguma coisa, e algo a impede, o problema da liberdade vem à tona. Essa aspiração à liberdade está sempre ligada a alguma interdição, alguma restrição ou algum obstáculo. É isso o que se chama de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=886&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Creio que a liberdade se torna uma questão efetiva quando há uma carência prática dela. Quando uma pessoa quer fazer alguma coisa, e algo a impede, o problema da liberdade vem à tona. Essa aspiração à liberdade está sempre ligada a alguma interdição, alguma restrição ou algum obstáculo. É isso o que se chama de libertação de: libertar-se da violência, de um regime que nos oprime, da doença, da pobreza, do nosso corpo enfim (o corpo como o cárcere da alma, visto que o corpo não deixa a alma se emancipar). Mas também há liberdade para, isto é, o problema da liberdade surge quando queremos alcançar algo, realizarmo-nos, e nos perguntamos se isso é possível&#8221;</em>.<br />
<strong>Boris Groys</strong></p>
<p><em>“A interdição de certas coisas é por vezes tão encantadora que não se tem como não fazê-las. É por isso que todo tipo de obrigação me é cara: porque nos possibilita a alegria da transgressão. Se não houvesse nenhum mandamento neste mundo, nenhuma obrigação, eu morreria, pereceria de inanição, me estropiaria de tédio. Que me incitem, pois, que me obriguem e tutelem. Acho absolutamente adorável. No fim, quem decide sou eu e ninguém mais. Sempre enfureço um pouquinho a testa enrugada da lei; depois trato de acalmá-la”. </em><br />
<strong>Trecho de Jacob Von Gunter, de Robert Walser</strong></p>
<p><em>“Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. </em><br />
<strong>Cecília Meireles</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/886/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/886/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/886/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/886/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ababeladomundo.wordpress.com/886/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ababeladomundo.wordpress.com/886/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ababeladomundo.wordpress.com/886/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ababeladomundo.wordpress.com/886/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/886/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/886/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/886/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/886/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/886/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/886/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=886&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>steve jobs, os chineses, a robótica e a mulher maçã</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 16:20:09 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Despensando]]></category>
		<category><![CDATA[Apple]]></category>
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		<description><![CDATA[Li essa semana este artigo gigantesco sobre o Steve Jobs. O autor, Kieran Healy, um sociólogo, usa o conceito weberiano de liderança carismática para pensar a atuação do Jobs à frente da Apple e a maneira como ele era admirado por seus empregados, apesar de ser um notório carrasco. Entre outras coisas, ele mostra de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=881&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Li essa semana <a href="http://www.kieranhealy.org/blog/archives/2011/10/10/a-sociology-of-steve-jobs/" target="_blank">este artigo gigantesco sobre o Steve Jobs</a>. O autor, Kieran Healy, um sociólogo, usa o conceito weberiano de liderança carismática para pensar a atuação do Jobs à frente da Apple e a maneira como ele era admirado por seus empregados, apesar de ser um notório carrasco. Entre outras coisas, ele mostra de que maneira essa figura do líder carismático assume na cabeça das pessoas a imagem quase mística do escolhido. A origem mesmo da palavra carisma está associada à liderança religiosa: significa &#8220;o dom da graça divina&#8221;. Esse líder é visto como alguém guiado por uma meta superior, algo que além do alcance dos simples mortais (é uma espécie de Lyon: com visão além do alcance); alguém que, por isso mesmo, teria o direito de subverter as regras, alguém de quem até mesmo a crueldade seria perdoável, em nome de uma causa maior. (Todo mundo já viu essas história, né? Dá pra pensar em diversos líderes com essas características, de Martin Luther King a Fidel, de Ghandi a Hitler). </p>
<p><em>“The stories of how brutal he could be on the people around him — employees, competitors, and everyone else — are legion, and they’re not apocryphal. He could be deeply dehumanizing and belittling to the people around him … As a leader of people, you have to respect how much he (and more importantly, his teams) accomplished. But I struggle with some of the ways that he led, and how they affected good people.” The combination of inner vision, contempt for rules, and the ability to moblize others results in a leadership style that is at once rebellious and autocratic. It’s better to be a pirate than join the navy, but the Pirate Captain is in charge. </em></p>
<p>***</p>
<p>Embora o foco do artigo sejam os empregados da Apple, os subordinados de Steve Jobs, a análise vai além. A questão que a gente está discutindo aqui na lista, sobre a exploração de chineses e africanos para a produção do iPhone, também é abordada: </p>
<p><em>&#8220;This is a well-recognized problem with technological utopias: goods that are simple and elegant to use are often difficult and dangerous to make. A wide gap may open between the consumers and the producers of beautiful pieces of personal technology: it’s an elegant, creative, meaningful future for me, but a lifetime toiling on a Foxconn production line for thee&#8221;.  </em></p>
<p>***</p>
<p>Agora, espaço para uma digressão. </p>
<p>Eu tenho pensando muito nessa coisa toda da tecnologia já faz um tempinho. Em como isso pode ou não mudar o mundo. Em como pode aproximar pessoas e estimular a participação, a cidadania. Mas esse outro lado da moeda, o dos trabalhadores da Foxconn,me assombra a cada dia com mais força. É que pra mim é muito claro que todo esse avanço tecnológico só foi possível graças ao capitalismo mesmo. E, pior, graças ao seu caráter selvagem: o que move a inovação de verdade é a vontade de ganhar dinheiro, sim. Ou, mais sub-repticiamente, o orgulho: o desejo de ser melhor, de se destacar, de superar o outro. A porra do o ego, enfim! (O capitalismo é todo baseado no ego. Aliás, o ocidente é baseado no ego). </p>
<p>A maioria das pessoas, considera o iPhone um item caro. Mas se a gente considerar a extração de metal, as linhas de montagem, o desrespeito às leis trabalhistas (e à dignidade, de maneira geral), o preço que nós – brasileiros de classe média do Rio de Janeiro – pagamos por ele é absolutamente ridículo. Se o mundo fosse justo, deveria custar muito mais. Muita gente morre pra gente dar uma tuitada. Nós &#8211; todos nós aqui &#8211; escolhemos isso, todo dia. Isso é meio existencialista, sartreano: ao escolhermos algo para nós mesmos – um modo de vida, um hábito de consumo, uma posição política – escolhemos o mesmo para o mundo. O Michel tem razão, sim, quando diz que ao comprarmos um iPhone nos aprovamos o trabalho semi-escravo dos chineses da Foxconn. E aprovamos o comunismo esquizofrênico da China. (Mas o reverso da moeda é que os escravos da Foxconn também aprovam: em tese &#8211; e aí está a o realismo cruel do existencialismo &#8211; eles poderiam optar pela morte). </p>
<p>Quando eu me dei conta de tudo isso, me vi diante de uma encruzilhada: ou abria mão de tudo e realmente abdicava desses confortos em favor de algo que eu realmente acreditasse, nem que isso custasse (ou valesse?) a minha vida (e, sim, acho que essa escolha tem que ser radical), ou aprendia lidar com esse fato. Aí eu decidi lidar com isso. Até porque, do ponto de vista histórico, sempre houve exploração. A democracia grega – toda glória de Athenas! – estava assentada sobre o trabalho dos escravos. E todo mundo sabe disso, mas faz de conta que não lembra quando fala em democracia. </p>
<p>Tenho muitas esperanças em relação a essa nova lógica do compartilhamento, da criação coletiva. Acho inspiradora a Primavera Árabe, com todo mundo organizando manifestação via Facebook. Ou o Occupy Wall Street, com todo mundo fazendo suas transmissões em tempo real, via iPhone, denunciando a violência da democracia norte-americana pro mundo todo. Mas enquanto as linhas de montagem tiverem necessidade de seres “com telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor” para operá-las, isso tudo não vai passar de oba-oba pra maioria que acompanha, retuíta e “curte no feice”. Sim, porque os únicos que serão realmente transformados por isso serão aqueles que fizeram a escolha, aqueles que estão lá, aqueles que estão apanhando, aqueles que estão sendo presos. Porque só a ação existe: só a experiência é, só a experiência inspira os outros, só a experiência transforma as pessoas. </p>
<p>Enfim, eu acredito imensamente no potencial libertador da tecnologia. Mas acho que, no estágio em que se encontra, ela ainda depende da exploração do homem para existir. A tecnologia só poderá nos libertar realmente no dia em que não for preciso apertar mais nenhum botão, no dia que a fábrica da Foxconn não precisar de mais nenhum chinês. O ápice da utopia tecnológica são os robôs: só a robótica liberta. </p>
<p>***</p>
<p>A partir daqui, o papo teria que entrar no campo da ficção científica. Então acho melhor parar e resumir esse blá blá blá todo em três pontos:</p>
<p>1)  Por mais difícil que seja reconhecer, a ganância é o combustível da inovação. </p>
<p>2) Toda criação é destrutiva: alguma coisa (seja ela natureza, forma, conceito ou sistema) ou alguém (seja ele um operário ou um mártir) sempre tem que perecer pra outra, nova, surgir. (Os orientais estavam certos: vida e morte são complementares).  </p>
<p>3) O capitalismo fez muito pelo bem-estar das pessoas, mas muito disso se deve ao comunismo que estava ali, como contraponto: é por isso que o OWS é importante.  </p>
<p><strong>OFF-TOPIC</strong></p>
<p>Já que ao falar da Apple falamos da relação de amor que os usuários estabelecem com a marca, <a href="http://haznos.org/wp-content/uploads/2011/10/mma_g.jpg" target="_blank">segue uma entrevista com a Mulher Maçã</a>. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/881/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/881/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/881/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/881/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ababeladomundo.wordpress.com/881/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ababeladomundo.wordpress.com/881/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ababeladomundo.wordpress.com/881/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ababeladomundo.wordpress.com/881/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/881/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/881/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/881/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/881/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/881/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/881/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=881&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>eu só queria falar de videogame</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 16:10:06 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Durante esse longo inverno em que passei sem escrever uma linha sequer que não fosse sob encomenda, pensei bastante sobre isso, de não conseguir escrever. De tanto mentar, cheguei a uma conclusão (que, por ora, me basta): para escrever é preciso ter certezas. Podem até ser certezas pontuais. Pode ser até a certeza quanto à [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=871&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante esse longo inverno em que passei sem escrever uma linha sequer que não fosse sob encomenda, pensei bastante sobre isso, de não conseguir escrever. </p>
<p>De tanto mentar, cheguei a uma conclusão (que, por ora, me basta): para escrever é preciso ter certezas. Podem até ser certezas pontuais. Pode ser até a certeza quanto à incerteza (subterfúgio algo taoísta que muito me atrai). O que importa é que ela exista. Fora da certeza, só existe a barbárie. Não dizem que o termo bárbaro tem origem na maneira como os estrangeiros balbuciavam e gaguejavam ao falar o grego? Então. É por aí. Fora da certeza só existe gagueira.</p>
<p>***</p>
<p>E é aquela coisa: toda certeza está baseada, em última instância, numa crença. (Taí o Hume, que não me deixa mentir sozinho). E como ando meio incrédulo ultimamente, já viu, né?</p>
<p>***</p>
<p>Há muito, muito tempo, quando eu ainda alimentava esperanças, essa idéia da gagueira do pensamento me fascinou. Topei com ela nos <em>Diálogos</em>, do Deleuze, e fiquei meio que obcecado. É que sempre tive um pensamento fragmentário, inconclusivo, cheio de pontas soltas. Na época eu não me dava conta, mas muito disso tinha a ver menos com uma característica do meu pensamento do que com minha preguiça e desorganização mesmo. Porque é aquilo: o caos é a desordem natural das coisas. A ordem, apolínea como ela só, pede organização, método, disciplina. Tudo que nunca tive! </p>
<p>O que a gente chama de mundo civilizado só existe para por ordem no caos. Ordenar é dar sentido, é construir, é empilhar tijolos. Só o que é ordenado, sistematizado, encadeado pode existir para o pensamento. Criar, nada mais é do que organizar o caos de uma certa maneira (tanto melhor se for à sua maneira, né fascistinha?). O caos, por si só, não significa nada. É não ser. E o não ser não é. Ponto.</p>
<p>A primeira impressão que tive ao ler Deleuze na juventude é de que a filosofia dele privilegiava a espontaneidade do pensamento, o pipocar algo alucinado das idéias. Hoje eu sei que, longe disso: há por traz de todo pensamento deleuziano um método extremamente rigoroso. Criar conceitos – ou, simplesmente, filosofar &#8211; exige disciplina e organização. </p>
<p>(Com meu pensamento indisciplinado, posso dizer que não se poderia esperar outra coisa de um capricorniano!). </p>
<p>Foi por isso que eu abandonei o curso de filosofia. Porque, ao contrário do que pensam os leigos, filosofar é tão difícil quanto construir prédios. A filosofia é a engenharia do pensamento. </p>
<p>***</p>
<p>Antes que me apedrejem: eu não disse que a filosofia deleuziana não é libertadora não, viu? Só disse que pra construí-la, ele <em>meio que</em> se enclausurou (aquela coisa de não viajar, de dar aulas por anos na mesma universidade, de ter poucos e bons amigos). E talvez isso explique a fascinação dele por Espinosa, o excomungado. Não poucas vezes o filósofo francês mencionou com admiração a maneira como Espinosa compensava a debilidade física com um pensamento extremamente forte, livre e vivo. E, ó paí: essa filosofia da vida e da liberdade nasceu do <strong>método geométrico</strong>. Irônico, não?</p>
<p>***</p>
<p>Eu não queria escrever sobre filosofia, quando comecei este texto. Queria falar de videogame. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/871/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/871/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/871/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/871/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ababeladomundo.wordpress.com/871/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ababeladomundo.wordpress.com/871/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ababeladomundo.wordpress.com/871/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ababeladomundo.wordpress.com/871/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/871/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/871/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/871/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/871/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/871/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/871/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=871&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>carnaval 2012</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 17:52:44 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Se o mundo não acabar, tem Carnaval em 2012. Tem? Por Vinicius Orrico “Prefeitura do Rio e Janeiro NÃO VAI autorizar novos blocos e DEVE aumentar a quantidade de banheiros químicos para o Carnaval de 2012.” Muito me espanta essa notícia que ronda nossas mídias nos últimos dias. Falo não de camarote, mas de chão [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=866&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><strong>Se o mundo não acabar, tem Carnaval em 2012. Tem?</strong><br />
<em>Por Vinicius Orrico</em></strong></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://inapcache.boston.com/universal/site_graphics/blogs/bigpicture/carnival2011/bp13.jpg" alt="" width="475" height="309" /></p>
<p><em>“Prefeitura do Rio e Janeiro NÃO VAI autorizar novos blocos e DEVE aumentar a quantidade de banheiros químicos para o Carnaval de 2012.”</em></p>
<p>Muito me espanta essa notícia que ronda nossas mídias nos últimos dias. Falo não de camarote, mas de chão mesmo. Acompanhei de perto, in loco, entre bebidas e fantasias, a retomada do Carnaval carioca.</p>
<p>Nos dias de pré-carnaval, o blogueiro Ricardo Freire ressuscitou um texto seu de 1999 que retratava a empreitada de, em um mesmo Carnaval, percorrer a folia do Recife, Salvador e Rio. E ele relatava que “o Rio (pronuncia-se Ríiiu) é também, disparado, o melhor lugar para quem quer fugir completamente da folia. Primeiro, porque a população debanda (&#8230;). Tanto assim, que chegar ao Rio em pleno domingo de carnaval é como chegar ao Rio em plena Bienal do Livro: você só fica sabendo do evento se abrir os jornais ou ligar a TV.</p>
<p>Pois é&#8230; O mesmo Rio de Janeiro que em 2011 previu 2 milhões de foliões nas ruas e na verdade recebeu 4,8 milhões de pessoas, sendo 1 milhão de turistas. Eu, desde 2005 passo o Carnaval no Rio (com exceção de 2007, quando fui para Recife/Olinda). O primeiro, confesso, foi por falta de opção, iria para uma cidade no interior de Minas. Um dia antes de viajar, meu carro, estacionado nas ladeiras do Carmelitas (amadorismo meu, confesso) foi removido do lugar, amassado e teve o vidro quebrado. Insisti em passar na oficina e ir no dia seguinte. Até meu amigo ligar e dizer que a casa em que eles estavam hospedados havia sido assaltada. Fiquei no Rio.</p>
<p>E posso falar que curti muito. Descobri, junto com poucos perdidos, como era o Carnaval aqui. Repeti a experiência e vivi essa recuperação, que teve como “aliada” a crise aérea (que, junto com os engarrafamentos, desanimam qualquer um para viajar). Aos poucos fui aprendendo o perfil de cada bloco, o que eu achava bom e o que preferia distância. Sou da turma que torço pelo Carnaval do Rio, mas já acha que está ficando cheio demais. Ano passado já dizíamos isso e parece que ano que vem não dá mais para nós, os saudosistas de blocos pequenos.</p>
<p>Mas, o que tenho certeza é que menos blocos não significam menos gente. Se bem que ao longo do tempo sim. Pois as pessoas procurarão menos o Carnaval carioca. É isso que a Prefeitura quer? Antes de pensar em organizar, planejar, ajeitar, arrumar, a gente tem que saber: quais são os planos para o Carnaval do Rio? Continuar o crescimento ou voltar para o patamar de alguns anos atrás (imagino que ninguém queira voltar para a época das vagas magras e ruas vazias)?</p>
<p>A lógica é simples e capitalista: oferta e procura. Se a procura for a mesma e a oferta for menor, isso significará mais gente atrás do mesmo bloco. E com o passar dos tempos, das duas uma: ou as pessoas param de ir ou o sistema vence e encontra público disposto a pagar uns R$ 5 por mais conforto (uns metros quadrados a mais, uma fila menor para o banheiro, a cerveja ali do lado&#8230;). Daí para R$ 700 e um novo fenômeno Salvador é um pulo. Ora, numa conta torpe: 5 milhões de pessoas em 400 blocos, dá uma média de 12.500 pessoas por bloco. Se vierem 6 milhões atrás de 200 blocos dá uma média de um caos por bloco.</p>
<p>Se a intenção da Prefeitura é que o pessoal de fora venha mesmo e o que os cariocas continuem ficando por aqui, tem mais é que incentivar a criação de novos blocos. E por tudo quanto é canto. Os chamados blocos tradicionais (Simpatia, Boitatá, Carmelitas) começaram com meia dúzia de foliões pingados e cheios da pinga batendo panela, tamborim e afins. Hoje atraem multidões. O folião tem que olhar a lista de blocos e ficar com aquela dorzinha gostosa de escolher um bloco pensando se não deveria levar sua fantasia para outra bagunça. E aqueles que moram fora da Zona Sul têm o direito de ir curtir o bloco na beira da praia, mas também devem ter o poder divino da escolha: ir para o badalado ou dar uma conferida no furdúncio novo do lado de casa. Depois de tomar umas você pode pegar esse mote, juntar com Economia, que rima Sociologia, botar um êxodo no meio (no meu não) e fazer um samba-enredo. Só quero ver achar rima para Adam Smith.</p>
<p>Ou não, não é nada disso que a Prefeitura quer. O pessoal quer mesmo é que seja no máximo 2 milhões pelas ruas mesmo, porque isso já é bêbado demais para cuidar. Falando em bêbado para cuidar, isso lembra a discussão mais batida do pós-carnaval: o xixi na rua. Sinceramente? Quem fala muito sobre isso é porque não curte o Carnaval. Não sabe o aperto (mentalmente falando) que é estar apertado (fisiologicamente falando) enquanto se está em um bloco apertado (fisicamente falando). Quero ver esse povo que acha que quem faz xixi na rua é cachorro, que precisa ser preso, usar faldrão e blábláblá o que faria depois de 10 latinhas de cerveja, no meio da multidão do Céu na Terra, nas ladeiras de Santa Teresa, com a total e absoluta falta de banheiros químicos.</p>
<p>Porque teve 2 tipos de banheiros nesse Carnaval: o inferno de odor na Terra e o inexistente. Se você tivesse a sorte de ter seu bloco abençoado por banheiros e o planejamento, aliado à práticas zen-budistas, para suportar a fila, ganhava como brinde a entrada em um universo de fedor e escuridão onde você amaldiçoava a duração prolongada de seu xixi. E ainda falam que DEVEM aumentar o número de banheiros. Bem disse um amigo meu (Rodrigo Pinto, sem trocadilhos, por favor): a cervejaria que ganha a licitação do Carnaval tinha que dar, como contrapartida, mais banheiros. Podia ser feito um cálculo envolvendo as variáveis de latinhas de cerveja vendidas, quantidade de foliões, sexo dos mesmos, quantidade de xixi recolhido no último Carnaval, banheiros usados, pessoas autuadas por xixi na rua, quantidade de xixi recolhido&#8230; ufa! Ainda bem que não sou eu quem vai botar a mão nessa cumbuca urinária. Afinal, distribuir chapéu, faixa, mãozinha inflável é fácil. Quero ver a empresa cuidar da consequência do consumo da cerveja! E estudar banheiros abertos. Para quem acha que é pouca-vergonha, já usei um assim. Em Amsterdã. Chique, tá?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/866/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/866/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/866/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/866/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ababeladomundo.wordpress.com/866/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ababeladomundo.wordpress.com/866/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ababeladomundo.wordpress.com/866/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ababeladomundo.wordpress.com/866/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/866/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/866/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/866/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/866/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/866/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/866/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=866&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>réquiem para um embuste</title>
		<link>http://ababeladomundo.wordpress.com/2011/02/18/requiem-para-um-embuste/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Feb 2011 18:12:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[#fail]]></category>
		<category><![CDATA[Aronofsky]]></category>
		<category><![CDATA[Cisne Negro]]></category>

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		<description><![CDATA[A melhor observação sobre o Darren Aronofsky que eu já li estava numa frase de 140 caracteres retuitada por uma amiga. Era mais ou menos assim: “O Aronofsky parece aquele seu amigo que posta uma letra do Engenheiros do Hawaii e ainda escreve um texto pra explicar&#8221;. &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=856&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A melhor observação sobre o Darren Aronofsky que eu já li estava numa frase de 140 caracteres retuitada por uma amiga. Era mais ou menos assim: “O Aronofsky parece aquele seu amigo que posta uma letra do Engenheiros do Hawaii e ainda escreve um texto pra explicar&#8221;. </strong></p>
<p style="text-align:left;"><img class="alignleft" src="http://ababeladomundo.files.wordpress.com/2011/02/cisne-negro-tra.jpg?w=406&#038;h=241" alt="" width="406" height="241" /><em> </em></p>
<p style="text-align:left;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:left;">&nbsp;</p>
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<p style="text-align:left;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:left;"><em>Natalie Portman, ao descobrir-se enganada pelo diretor. </em></p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>O último espasmo de Darren Aronofsky, <em>Cisne Negro</em>, sofre de um problema comum ao cinemão americano: é explicadinho demais. Redundante. Circular. Reafirma a mesma coisa textual, visual e metaforicamente mil vezes. Não basta o percurso de Nina, a protagonista, correr em paralelo ao do cisne de Tchaikovsky, que precisa morrer para libertar-se. É preciso que a transformação do personagem seja reforçada pelos olhos vermelhos, pelo crescimento de penas, pela deformação física. Isso não é coerência, é descontrole. Típico de quem domina a técnica, mas não experimenta o cinema, não vive o cinema. E, engraçado: talvez esteja aí a redenção de Aronofsky, pelo menos enquanto busca de autoralidade: o personagem de Natalie Portman é seu duplo: ele é o cisne que não consegue se libertar. Seus filmes são pura casca. Ocos. Natimortos. A profundidade que ele procura é a da morte. Desde <em>Pi</em>, os personagens dele correm atrás de fantasmas pra não reconhecer o próprio vazio, pra não entrar em contato consigo mesmos e com a humanidade. A vida, sem sentido, precisa ser sobreposta pela velocidade com que se persegue a fórmula de Deus (<em>Pi</em>), o próximo pico (<em>Réquiem para um Sonho</em>), a eternidade (<em>Fonte da Vida</em>), a glória passada (<em>O Lutador</em>) ou a dança perfeita (<em>Cisne Negro</em>). Isso explica a câmera nervosa, que tudo especula, mas pouco frui. A beleza natural do balé &#8211; dos movimentos do corpo, dos ritmos, das pulsações &#8211; é o tempo todo ofuscada, em <em>Cisne Negro</em>, pela mecânica invasiva da câmera de Aronofsky. Embora se queira profundo, o filme é epitelial: talvez por isso a ênfase no conflito, na angústia, na dor que se manifesta na pele. O exagero de certas cenas &#8211; o apelo às sensações mais primárias &#8211; parece brotar justamente dessa incapacidade de captar as sutilezas da alma humana: a câmera de Aronofsky está sempre à procura de algo &#8211; de uma tese, de uma comparação, de uma &#8220;sacada&#8221; &#8211; e não tem tempo pra ver: é teleológica demais. A maior violência cometida por Aronofsky é contra o cinema. É como se nele o desespero pelo fim da arte – algo que só se evidencia no plano racional &#8211; fosse convertido em desilusão: Aronofsky desistiu do cinema e resolveu filmar o próprio desgosto.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ababeladomundo.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ababeladomundo.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ababeladomundo.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ababeladomundo.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/856/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=856&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>minima moralia</title>
		<link>http://ababeladomundo.wordpress.com/2011/02/04/minima-moralia/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Feb 2011 16:22:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
				<category><![CDATA[ababelado aproves]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[razão]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[OS JUSTOS Jorge Luis Borges, in &#8220;A Cifra&#8221; Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire. O que agradece que na terra haja música. O que descobre com prazer uma etimologia. Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez. O ceramista que premedita uma cor e uma forma. O tipógrafo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=848&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>OS JUSTOS</strong><strong></strong></p>
<p><strong><em>Jorge Luis Borges, in &#8220;A Cifra&#8221;</em></strong></p>
<p>Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.<br />
O que agradece que na terra haja música.<br />
O que descobre com prazer uma etimologia.<br />
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.<br />
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.<br />
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.<br />
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.<br />
O que acarinha um animal adormecido.<br />
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.<br />
O que agradece que na terra haja Stevenson.<br />
<strong>O que prefere que os outros tenham razão.</strong><br />
<strong> Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ababeladomundo.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ababeladomundo.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ababeladomundo.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ababeladomundo.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/848/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=848&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>uma, duas, três tragédias</title>
		<link>http://ababeladomundo.wordpress.com/2011/02/01/uma-duas-tres-tragedias/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Feb 2011 01:02:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Antígona]]></category>
		<category><![CDATA[consumismo]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[tragédia]]></category>

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		<description><![CDATA[O que é a vida do homem? Algo que não é orientado para o bem ou para o mal, nem moldado para louvar ou censurar. A oportunidade leva o homem às alturas, a oportunidade o arremessa para baixo e ninguém pode prever o que será a partir daquilo que é. Antígona &#8211; Sófocles Descobri hoje [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=834&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><em>O que é a vida do homem? Algo que não é orientado</em><br />
<em> para o bem ou para o mal, nem moldado para louvar ou censurar.</em><br />
<em> A oportunidade leva o homem às alturas, a oportunidade o arremessa para baixo</em><br />
<em> </em><em>e</em><strong><em> ninguém pode prever o que será a partir daquilo que é</em></strong><em>.</em></p>
<p style="text-align:right;"><strong>Antígona &#8211; Sófocles</strong></p>
<p><img class="alignright" src="http://ababeladomundo.files.wordpress.com/2011/02/antc3adgona2.jpg?w=180&#038;h=400" alt="" width="180" height="400" />Descobri hoje que tenho um lado mulherzinha. Sabe aquelas que, quando as coisas não vão bem, entram na primeira loja e afogam as mágoas comprando pares e mais pares de sapatos – absolutamente desnecessários! – numa tentativa desesperada de compensar as frustrações? Pois é: eu sou assim com livros.</p>
<p>Hoje, fui surpreendido logo cedo com uma péssima notícia. Encontrei com meu ex-chefe no metrô e descobri que meus planos de dar “uma nova direção à minha carreira” (vocabulário corporativo é uma merda, não é?) podem vir a ser prejudicados pela mesquinharia alheia.</p>
<p>Fiquei pensando no que tinha ouvido, ruminando o infortúnio, repisando fracassos recentes e afundando no pântano da autocomiseração. Foi quando resolvi recorrer a um subterfúgio que, há anos, parece ter funcionado para amainar meu estado de espírito nesses momentos de crise: mandar o problema pro espaço; inseri-lo num plano maior – bem maior mesmo – contemplá-lo à distância, cada vez mais de longe, até presenciar, no plano ideal, seu desaparecimento. Desta vez, o truque consistiu olhar pra essa situação toda do ponto de vista trágico, colocar o personagem frente a uma instância maior, o fado, a lei, as engrenagens de um <a href="http://www.travessa.com.br/PROCESSO_O_ED_DE_BOLSO/artigo/52a49587-8495-4186-9696-619ee91aab93" target="_blank">processo</a>: às vezes, só a consciência da inexorabilidade é capaz de nos devolver a paz.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>Exagero, é claro.</p>
<p>O que me aconteceu mal dá pra uma comédia de erros, que dirá uma tragédia. O caminho que me levou até esses pensamentos passa por ruminações de longa data em torno de tópicos como <em>liberdade </em>e <em>destino</em>, <em>decisão </em>e <em>interdição</em>, entre outros pares de conceitos mais ou menos espinhentos. O fato é que, em alguma esquina desse labirinto mental, acabei tomando a rota que me levou ao site da Livraria Cultura, pra comprar mais três volumes da coleção <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/busca/busca.asp?limpa=0&amp;tipo_pesq=colecao&amp;palavra=A%20TRAGEDIA%20GREGA,%20V.1&amp;sid=1648567213131360132059860&amp;k5=22C6DD3D&amp;uid=" target="_blank"><strong>A Tragédia Grega</strong></a>, da Jorge Zahar.</p>
<p>Agora, como se não bastassem os problemas pra resolver, tenho mais três livros na fila dos não-lidos.</p>
<p>(Ou seja, uma tragédia!).</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/834/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/834/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/834/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/834/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ababeladomundo.wordpress.com/834/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ababeladomundo.wordpress.com/834/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ababeladomundo.wordpress.com/834/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ababeladomundo.wordpress.com/834/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/834/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/834/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/834/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/834/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/834/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/834/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=834&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>afeiçoar</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Jan 2011 22:38:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gosto desta palavra: afeiçoar, e do seu duplo sentido: tanto significa desenvolver afeto como moldar-se. Porque é isto o que acontece – quanto nos afeiçoamos muito a alguém ou a alguma coisa vamos ganhando pouco a pouco a forma dessa pessoa ou dessa coisa. Um homem e sua esposa chegam a tornar-se, ao fim de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=745&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Gosto desta palavra: afeiçoar, e do seu duplo sentido: tanto significa desenvolver afeto como moldar-se. Porque é isto o que acontece – quanto nos afeiçoamos muito a alguém ou a alguma coisa vamos ganhando pouco a pouco a forma dessa pessoa ou dessa coisa. Um homem e sua esposa chegam a tornar-se, ao fim de cinqüenta anos de vida em comum, tão semelhantes como irmãos. Um cão velho imita a tosse do dono. </em></p>
<p><strong>Trecho de Milagrário Pessoal do escritor angolano José Eduardo Agualusa </strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ababeladomundo.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ababeladomundo.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ababeladomundo.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ababeladomundo.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/745/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=745&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>um livro pra ler de olhos bem abertos</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 20:12:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se voltei a escrever no começo deste ano, foi graças à leitura de Um Livro por Dia – Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company, do jornalista canadense Jeremy Mercer. O livro é da minha cunhada e estava peregrinando de estante em estante lá em casa há mais de um ano. Devorei-o entre o dia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=813&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://26.media.tumblr.com/tumblr_lew56xuOsZ1qd73ejo1_500.jpg" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p>Se voltei a escrever no começo deste ano, foi graças à leitura de <a href="http://books.google.com.br/books?id=PbZijFSqffoC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=Um+livro+por+dia&amp;hl=pt-BR&amp;ei=-mVBTbCKL4L98Aam9qTmAQ&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CDAQ6AEwAA#v=onepage&amp;q=Sonhos&amp;f=false" target="_blank"><strong>Um Livro por Dia – Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company</strong></a>, do jornalista canadense Jeremy Mercer. O livro é da minha cunhada e estava peregrinando de estante em estante lá em casa há mais de um ano. Devorei-o entre o dia 31 de dezembro e o dia 2 de janeiro. Mais da metade enquanto percorria<a href="http://ababeladomundo.wordpress.com/2011/01/07/o-caminho-mais-longo-do-santos-dumont-ao-galeao/" target="_blank"> o caminho mais longo do Santos Dumont ao Galeão</a>. A Costela já tinha lido o livro e falado muito bem. Contou um pouco da história daquela cria de livraria com albergue e o tema me deixou encantado. Mas, no começo de 2010, eu ainda respirava filosofia e, bobo, achava melhor não perder tempo com leituras desinteressadas. Preferi deixar o livro pra mais tarde.</p>
<p>Em setembro, quanto estivemos em Paris, a Costela quis visitar o lugar. E me apaixonei. Enquanto estávamos lá, caiu um pé d’água danado e, da janela, deu pra ver Rue de Bûcherie tornar-se ainda mais bucólica. Tive vontade de ficar por horas lá dentro, quem sabe conversar com algumas pessoas, tomar um café, um chá, ou simplesmente deixar o tempo passar. Mas fui contido pela consciência que, aos 29 anos, já me tornei um <a href="http://www.imdb.com/title/tt0094606/" target="_blank">turista acidental</a>.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p><a href="http://books.google.com.br/books?id=PbZijFSqffoC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=Um+livro+por+dia&amp;hl=pt-BR&amp;ei=-mVBTbCKL4L98Aam9qTmAQ&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CDAQ6AEwAA#v=onepage&amp;q=Sonhos&amp;f=false" target="_blank"><strong><img class="alignleft" src="http://files.cdn.upx.net.br/00113/imagem/capas/535/2150535.jpg" alt="" width="120" height="180" />Um Livro Por Dia</strong></a> conta a história de como um repórter policial de uma cidade de médio porte do interior do Canadá foi parar em Paris – com pouco dinheiro no bolso e sem pouso certo – depois de sofrer uma ameaça de morte de uma fonte, que se sentira traída ao ver seu nome revelado em uma matéria. Um dia, quase sem dinheiro e com zero perspectiva uma de encontrar um apartamento, ele dá de cara com a Shakespeare and Company, ao buscar abrigo da chuva. Inesperadamente convidado para um chá quente, o jornalista acaba descobrindo que aquela não é uma livraria qualquer.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>George Whitman, o fundador da <a href="http://www.shakespeareandcompany.com/" target="_blank">Shakespeare &amp; Company</a> e grande personagem de <a href="http://books.google.com.br/books?id=PbZijFSqffoC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=Um+livro+por+dia&amp;hl=pt-BR&amp;ei=-mVBTbCKL4L98Aam9qTmAQ&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CDAQ6AEwAA#v=onepage&amp;q=Sonhos&amp;f=false" target="_blank"><strong>Um Livro por Dia</strong></a>, nasceu nos Estados Unidos. O nome poderia remeter a algum tipo de parentesco com autor de <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2603008&amp;sid=1648567213127390101348253&amp;k5=242233EB&amp;uid=" target="_blank">Folhas de Relva</a></strong>, o poeta <a href="http://davidbjohnson.files.wordpress.com/2009/04/walt-whitman.jpg" target="_blank">Walt Whitman</a>, o que não é verdade (embora, segundo Mercer, George não costume se esforçar para desfazer a confusão na cabeça dos curiosos que chegam à livraria com informações mais ou menos equivocadas sobre sua árvore genealógica).</p>
<p><img class="alignright" src="http://blog.editorialcm.es/__oneclick_uploads/2010/01/cama-en-la-libreria.jpg" alt="" width="270" height="360" />A livraria, fundada 1951 para vender livros em inglês em Paris, chamou-se, a princípio,<em> Le Mistral</em>. Em 1960, em seu aniversário de 50 anos, o dono decidiu adotar o nome Shakespeare &amp; Company. Como o sobrenome de George, o nome da loja também é, até hoje, motivo de confusão para muitas pessoas. A primeira Shakespeare and Company foi fundada pela também norte-americana Sylvia Beach, que mudou para Paris com a família aos 14 anos e se apaixonou pela cidade. Depois de trabalhar como enfermeira durante a Primeira Guerra Mundial, Sylvia decidiu que alguém precisava suprir a carência de livros em inglês na cidade. Sua loja foi aberta em novembro 1919 e tornou-se um porto seguro para escritores como Scott Fitzgerald, Gertrude Stein e Ezra Pound, que lá se reuniam para discutir projetos literários e tomar chá. “Em suas memórias sobre a cidade, <strong>Paris é uma Festa</strong>, Ernest Hemingway descreveu a Shakespeare and Company de Beach como ‘um lugar quente e amistoso, com uma grande estufa no inverno, mesas e prateleiras com livros, novos títulos na vitrine e, nas paredes, fotografias de escritores famosos, vivos e mortos’”, revela-nos Mercer. “E, mais importante ainda, foi Beach quem levantou o dinheiro para editar e publicar um original de seu amigo James Joyce, <strong>Ulisses</strong>, quando outros editores recusaram-no por ser escandaloso e sexualmente provocante”.</p>
<p>A Shakespeare de Beach fechou em 1941, quando os nazistas ocuparam Paris. E não abriu mais. Quando George decidiu adotar o novo nome para sua loja, contou com o consentimento da pioneira. E uma nova história começou. “A loja era pequena, apenas metade do primeiro andar de hoje, mas George conseguiu o melhor dela. Ele seguia o credo marxista de dar o que puder e pegar apenas aquilo de que precisar, e com esse espírito construiu a livraria. Desde o primeiro dia tinha instalada nos fundos uma cama para os amigos que precisassem de um lugar para dormir, mantinha sopa no fogão para visitantes famintos e administrava uma biblioteca de leitura gratuita para aqueles que não podiam pagar seus preços. Na noite de 15 de agosto de 1951, deu lugar para dormir ao seu primeiro autor, o dramaturgo Paul Abelman, que iria escrever livros como <strong>I Hear Voices</strong>”.</p>
<p>Foi nesse lugar que, em 2000, Jeremy Mercer foi morar. Antes dele, já tinham se hospedado ali mais de 40 mil pessoas.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p><a href="http://www.sfu.ca/~hayward/paris/shakespeare-observor.html" target="_blank"><img class="alignright" src="http://www.sfu.ca/~hayward/paris/graphics/george&amp;ferlinghetti.jpg" alt="" width="277" height="187" /></a>Uma série de personagens fascinantes, intrigantes, estranhos, dúbios, encantadores ou simplesmente estranhos povoam o livro. Um velho poeta inglês, que luta pra se manter afastado do álcool e das ruas; um andarilho argentino que destila hostilidade; uma bela romena capaz de seduzir meio mundo. Embora raramente saia dos limites da livraria, a estadia de Mercer na Shakespeare and Company lembra as experiências transformadoras das viagens descritas na literatura <em>beat</em> de Jack Kerouac. É como se acordes desse passado reverberassem ali, na Paris dos anos 2000; aquele espírito sintetizado pelo <em>no direction home</em> de Dylan. Essa atmosfera construída por Jeremy foi a mais grata surpresa que tive com <a href="http://books.google.com.br/books?id=PbZijFSqffoC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=Um+livro+por+dia&amp;hl=pt-BR&amp;ei=-mVBTbCKL4L98Aam9qTmAQ&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CDAQ6AEwAA#v=onepage&amp;q=Sonhos&amp;f=false" target="_blank"><strong>Um Livro por Dia</strong></a>. É importante descobrir que, ainda hoje, é possível reencarnar esse espírito, mesmo que só <em>for a while</em>.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p><img class="alignleft" src="http://www.concierge.com/cntraveler/contests/?g2_view=core.DownloadItem&amp;g2_itemId=887516" alt="" width="238" height="318" />A ênfase no<em> for a while</em>, esse angustiante <em>por um pouco</em>, é porque a experiência de Mercer &#8212; <em>como toda experiência de passagem</em>, como<em> toda viagem</em> &#8212; também chegou ao fim. Ao que tudo indica, ele <strong>viveu</strong> o ocaso da Shakespeare and Company nos moldes concebidos por George, como utopia socialista. Ao fim do livro senti crescer no peito uma alegria paradoxalmente melancólica. De um lado, estava feliz de saber que aquilo tudo acontecera logo ali, há uma década. De outro, a impressão era de que mais uma porta se fechara, não apenas pra mim, mas pro mundo. Difícil comparar a Shakespeare and Company que conheci àquela descrita na obra, mesmo dando um desconto para as tintas fortes que só a imaginação é capaz de imprimir em qualquer história. Os 10 anos que separam a livraria que hospedou Mercer daquela que visitei setembro passado parecem ter mudado tudo (ou, pelo menos, quase tudo). O que ouvi lá foram, quando muito, ecos de um tempo distante, quando ainda era possível acreditar em quimeras como literatura ou revolução.</p>
<p>Mas talvez eu só esteja sendo pessimista. Sonhos, sempre há de haver. Quem sabe o espírito do tempo tenha apenas amadurecido, deixando pra trás aquela megalomania adolescente dos anos 70. Ou essa é menos uma questão tempo que de espaço. Embora os físicos afirmem que essas categorias andamjuntas, em Paris, essa sólida teoria parece desmanchar-se no ar. A atmosfera parisiense é opiácea. Há um quê de misticismo nas <em>passagens </em>que tanto fascinaram Benjamin. A realidade, lá, é líquida, quase gasosa. “Em um lugar como Paris, o ar é tão denso de sonhos que eles ocupam as ruas e tomam todas as boas mesas dos cafés. Poetas e escritores, modelos e designers, pintores e escultores, atores e diretores, amantes e escapistas migram para a Cidade Luz”, diria Mercer. <strong>“A esperança é a mais bela droga”</strong>.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>Essa realidade gasosa de Paris pode, no entanto, fazer-se densa quando menos se espera e precipitar-se sobre nossas cabeças. E esse fenômeno se dá nas coisas mais ordinárias (a realidade sempre se revela no que é mais ordinário!). Um amigo que cai doente; um amor em trânsito, que parte e deixa saudade; a proximidade da morte, o cansaço da velhice; ou a simples necessidade de um banho decente e uma cama quentinha. Tão  importes quanto o sonho em si, são os esses ruídos que nos fazem acordar. O despertar pode não ser lá muito romântico, mas, no fundo, é tudo que temos. E é bom que seja assim. Para um sonho eterno, precisaríamos do sono eterno. A vida só se revela pra quem está de olhos bem abertos: presente: <em>in media res</em>.</p>
<p style="text-align:center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:center;"><strong> A TÍTULO DE EPÍLOGO</strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><br />
</strong></p>
<p><a href="http://www.shakespeareandcompany.com/index.php?categories=33:1" target="_blank">George Whitman</a> ainda está vivo e, se tudo der certo, fará 100 anos em 2012. Quem cuida da livraria hoje é sua filha, <a href="http://goparis.about.com/od/historyculture/ss/Sylvia-Whitman-interview.htm" target="_blank">Sylvia Whitman</a>, que também aparece no livro de Mercer. A Shakespeare and Company <a href="http://fictionwriting.about.com/od/thebusinessofwriting/p/shakespeare.htm" target="_blank">ainda dá abrigo</a> a &#8220;jovens poetas&#8221;, mas já não é qualquer vagabundo que tem direito a uma cama por lá.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ababeladomundo.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ababeladomundo.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ababeladomundo.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ababeladomundo.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/813/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&amp;blog=3336351&amp;post=813&amp;subd=ababeladomundo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>um doce lar</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 17:50:50 +0000</pubDate>
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