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		<title>Ababelado Mundo</title>
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		<title>Rio 2016</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 16:11:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Vejo a escolha do Rio como cidade sede das Olimpíadas de 2016 como uma ótima oportunidade para a construção de uma agenda política no Brasil, a única coisa capaz de nos fazer transcender o sectarismo político, que se acirra de dois em dois anos e nos condena a um trabalho de Sísifo, que precisa ser [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=685&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Vejo a escolha do Rio como cidade sede das Olimpíadas de 2016 como uma ótima oportunidade para a construção de uma <strong>agenda política</strong> no Brasil, a única coisa capaz de nos fazer transcender o sectarismo político, que se acirra de dois em dois anos e nos condena a um trabalho de Sísifo, que precisa ser eternamente refeito, em vão. </p>
<p>As suspeitas quanto às promessas de prosperidade que vêm do anúncio da vitória do Rio de Janeiro são, de fato, pertinentes, especialmente se levamos em conta a história do país, aparentemente marcada por saltos e rupturas que parecem apenas mascarar a realidade em nome de um “país do futuro” que nunca chega. Sim, nós temos problemas de corrupção. Sim, muita gente está mais preocupada com os benefícios políticos que a Olimpíadas podem trazer do que com os possíveis benefícios, que dependem muito mais do trabalho, da cooperação e da capacidade de planejamento do que dos discursos que serviram para costurar essa vitória. Nada disso justifica satisfatoriamente o desprezo pelos jogos, afinal, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa&#8230; </p>
<p>Só posso atribuir a rejeição de uma determinada parcela de cariocas e brasileiros à realização das Olimpíadas no Rio a duas causas: ou ela está ligada ao sectarismo ao qual me referi no começo, que os faz crer que esta é uma vitória deste ou daquele governo e, por isso, deve ser diminuída para não resultar em força política; ou é fruto do bom (?) e velho “complexo de vira-lata”, lindamente identificado por Nelson Rodrigues. </p>
<p>Daqui até as Olimpíadas, sete anos nos separam. O sucesso ou o fracasso dessa empreitada vai depender de como o país (e aí incluo as instâncias políticas, institucionais, midiáticas e, sobretudo, sociais) vão se articular em torno dessa agenda comum.  Trata-se de um evento grande demais para ficar sob responsabilidade exclusiva do poder público. Sem o envolvimento da sociedade, o evento será um fracasso. E ninguém terá o direito de reclamar. </p>
<p>**************************************</p>
<p><em><strong>Complexo de vira-latas</strong><br />
por Nelson Rodrigues</em></p>
<p><em>Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: &#8211; &#8220;O Brasil não vai nem se classificar!&#8221;. E, aqui, eu pergunto: &#8211; não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?</p>
<p>Eis a verdade, amigos: &#8211; desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse &#8220;arrancou&#8221; como poderia dizer: &#8211; &#8220;extraiu&#8221; de nós o título como se fosse um dente.</p>
<p>E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvidas: &#8211; é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: &#8211; o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: &#8211; se o Brasil vence na Suécia, e volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.</p>
<p>Mas vejamos: &#8211; o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, &#8220;não&#8221;. Mas eis a verdade: &#8211; eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: &#8211; sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto jogadores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado Flamengo. Pois bem: &#8211; não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.</p>
<p>A pura, a santa verdade é a seguinte: &#8211; qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: &#8211; temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de &#8220;complexo de vira-latas&#8221;. Estou a imaginar o espanto do leitor: &#8211; &#8220;O que vem a ser isso?&#8221;. Eu explico.</p>
<p>Por &#8220;complexo de vira-latas&#8221; entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos &#8220;os maiores&#8221; é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: &#8211; e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: &#8211; porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.</p>
<p>Eu vos digo: &#8211; o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Insisto: &#8211; para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.</em></p>
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		<title>em torno do discurso do Mercadante</title>
		<link>http://ababeladomundo.wordpress.com/2009/08/23/em-torno-do-discurso-do-mercadante/</link>
		<comments>http://ababeladomundo.wordpress.com/2009/08/23/em-torno-do-discurso-do-mercadante/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 20:01:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Despensando]]></category>

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		<description><![CDATA[Li o discurso do Mercadante feito na tribuna do senado na semana passada e resolvi analisá-lo mais detalhadamente. Muitos pontos suscitam reflexões importantes. Mas a que me interessou mais foi a questão da amizade com Lula, descrita por Mercadante como determinante de seu percurso político:
Na campanha de 1989 [...] quando andei pelo Brasil todo com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=682&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Li o discurso do Mercadante feito na tribuna do senado na semana passada e resolvi analisá-lo mais detalhadamente. Muitos pontos suscitam reflexões importantes. Mas a que me interessou mais foi a questão da amizade com Lula, descrita por Mercadante como determinante de seu percurso político:</p>
<p><em>Na campanha de 1989 [...] quando andei pelo Brasil todo com o presidente Lula, eu ganhei uma visibilidade que eu não esperava. Naquele momento, eu tinha ganhado uma bolsa de estudos para ir para fora do Brasil estudar a integração européia, a união européia que eu achava que era o caminho da América do Sul. E não fui. Não fui porque, em 1990, em 1988, o Presidente Lula pediu para eu ficar para a campanha e, quando terminou a campanha, ele falou: &#8220;Não, Mercadante, fica; ajude a montar a minha campanha para Deputado Federal&#8221;. Nós perdemos a eleição. Eu fiquei. Um mês depois ele falou: &#8220;Eu sou candidato; você tem que ser candidato&#8221;. A minha vida mudou totalmente de rumo e eu acolhi o pedido que ele tinha feito.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Depois que eu virei deputado, falei: bom, agora eu fiz o meu primeiro mandato, vou para o segundo. Quando estava concluindo a campanha, o Presidente Lula pediu, no meio daquela crise da campanha, falou: &#8220;Você vai ter que deixar o mandato de Deputado Federal, você tem que ser vice na minha chapa para a campanha presidencial&#8221;. Eu não discuti duas vezes. Abri mão na hora. Sabia que era uma campanha muito difícil e tive orgulho de fazer o gesto que fiz.<br />
</em><br />
Mais do que a relação de amizade, o discurso de Mercadante aponta para uma relação de admiração exacerbada, quase um sentimento de amor por Lula. Além da coação, só sentimentos dessa natureza (amor ou ódio) são capazes de fazer alguém mudar o rumo da própria vida em favor de alguém. Pode-se argumentar que o amor é à causa, ao ideal de partido que os dois construíram juntos no início dos anos 80. E Mercadante aponta mesmo nessa direção, quando afirma: “Eu sou petista antes de o PT existir”.</p>
<p>A complexidade aumenta, no entanto, quando comparamos a justificativa para a “decisão irrevogável” com aquela em defesa da “revogação”. O primeiro movimento apontava, de fato, para uma vontade de recuperar um ideal de PT que, se andava alquebrado desde os escândalos do “mensalão”, fora ferido de morte ao sacrificar a bandeira da “transparência” e do respeito às instituições democráticas para defender, de maneira vergonhosamente explícita, o “patrimonialismo” e o “nepotismo” encarnado em Sarney. Sob essa ótica, a decisão de deixar a liderança do partido e manifestar publicamente sua divergência em relação à postura assumida pelo mesmo mostrava-se absolutamente coerente com o discurso de retorno aos princípios fundamentais do PT. O apelo de Lula, no entanto, parece ter feito implodir essa equação. Ora, ao dizer que, em nome de Lula, deixa o ideal em segundo plano, Mercadante, a um só tempo, entra em contradição e abre um precedente perigoso, afinal, não é em nome das amizades e dos laços de família que a lógica nepotista leva políticos como Sarney a atropelarem os princípios institucionais?</p>
<p>Ao levantar essas questões, não pretendo julgar atitude de Mercadante, muito menos acusá-lo de covardia por ter voltado atrás em sua decisão irrevogável. Minha intenção é por evidência precisamente essa relação promíscua que em geral se estabelece entre o público e o privado em política. O objetivo não é discutir, de forma maniqueísta, se isso é bom ou ruim em si mesmo, mas o quanto questões como essa são relevantes para pensarmos o debate em torno das instituições democráticas. É que em sua concepção original, essas instituições não levam em consideração variáveis imprecisas, como amizade, consangüinidade, amor, ódio e outros afetos. Até que ponto esses afetos atuam como infiltrações, minando a solidez das instituições até fazê-la apodrecer por completo? Até que ponto as instituições estão preparadas para a dinâmica da vida, que, dia após dia, põe em jogo variáveis novas que, conjugadas, convertem-se em fluxos, por assim dizer, não institucionalizáveis?</p>
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	</item>
		<item>
		<title>muppets, but not babies (ou apontamentos sobre Avenida Q)</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2009 23:51:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Avenida Q]]></category>
		<category><![CDATA[politicamente incorreto]]></category>

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		<description><![CDATA[
Consegui dar um tapa na preguiça na última quinta-feira e levei esta carcaça que me abriga para ver o musical Avenida Q. A montagem estava entrando em sua última semana no Rio e se eu realmente quisesse descobrir do que se tratava o badalado espetáculo, o momento era aquele.
No sábado anterior, tinha ido à Gávea [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=663&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://4.bp.blogspot.com/_JXU1hdOIy0Y/SmXh_FYEVEI/AAAAAAAAAUE/S9naRpk22jI/s1600/AvQ%2Bc%C3%B3pia.jpg" alt="" width="432" height="324" /></p>
<p>Consegui dar um tapa na preguiça na última quinta-feira e levei esta carcaça que me abriga para ver o musical <a href="http://www.avenidaq.com.br/" target="_blank"><strong>Avenida Q</strong></a>. A montagem estava entrando em sua última semana no Rio e se eu realmente quisesse descobrir do que se tratava o badalado espetáculo, o momento era aquele.</p>
<p>No sábado anterior, tinha ido à Gávea para ver a exposição de <a href="http://ims.uol.com.br/ims/publicador_preview.asp?id_pag=482" target="_blank">Robert Polidoro</a>, em exibição no <a href="http://ims.uol.com.br/ims/view_assunto.asp?id_pag=80" target="_blank">Instituto Moreira Salles</a> <span style="text-decoration:line-through;"><em>[esse rodeio todo foi só pra citar a exposição, que recomendo fortemente, mas sobre a qual não vou escrever nada]</em></span> e aproveitei para comprar o ingresso. Sabia que o dinheiro empregado na compra me faria sair de casa na quinta, por maior que fosse a preguiça. A estratégia deu certo.</p>
<p>A primeira vez que ouvi falar de <a href="http://www.avenidaq.com.br/" target="_blank"><strong>Avenida Q</strong></a>. foi no <a href="http://borduna.wordpress.com/" target="_blank">Borduna</a>. Na semana anterior à estréia, a equipe responsável pela divulgação do espetáculo no Rio decidiu experimentar o suposto potencial da Web 2.0 para promover a estréia. Convidaram um grupo de blogueiros cariocas para comparecer à pré-estréia e produzir um texto sobre. Não sei bem como, mas o <a href="http://borduna.wordpress.com/" target="_blank">Borduna</a> foi um dos selecionados. Na ocasião, me convidou para ir com ele, mas recusei o convite, vitimado pelo preconceito criterioso (que me faz desconfiar de estratégias promocionais) e com a casa cheia de visitas (minha mãe estava no Rio como acompanhante de minha irmã, que viera para ir ao show do Radiohead comigo). Os <a href="http://borduna.wordpress.com/2009/03/27/avenida-q-eu-estive-la/" target="_blank">comentários dele no pós-espetáculo</a> foram deveras positivos e como em geral confio bastante em seu bom gosto, acabei me interessando pela peça.</p>
<p>Bendita hora em que resolvi tomar uma atitude e comprei o ingresso. <strong>Pense num Muppet Babies roteirizado pelo Todd Solondz e encenado na Avenida Dropsie</strong>. Pensou? A peça é mais ou menos isso.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://www.moellerbotelho.com.br/Images/blog_up/Ensaio%20Avenida%20Q%20-%2026.jpg" alt="" width="324" height="232" />Os <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/rioshow/mat/2009/03/13/avenida-musical-no-clara-nunes-tem-otima-execucao-mas-texto-repetitivo-754825194.asp" target="_blank">críticos</a> de <a href="http://www.avenidaq.com.br/" target="_blank"><strong>Avenida Q</strong></a>, que não foram nada econômicos nos elogios falaram muito bem da adaptação realizada por <a href="http://www.moellerbotelho.com.br/about/charles-moeller" target="_blank">Möeller</a> <a href="http://www.moellerbotelho.com.br/about/a-dupla" target="_blank">&amp;</a> <a href="http://www.moellerbotelho.com.br/about/claudio-botelho" target="_blank">Botelho</a> e já destacaram suficientemente a brilhante interpretação dos atores, dois pontos sobre os quais eu também discorreria, se isso não fosse chover no molhado.</p>
<p>Assim, puxando apenas um fiozinho desse novelo de críticas,  queria falar do humor de <strong><a href="http://www.avenidaq.com.br/" target="_blank"><strong>Avenida Q</strong></a></strong>, que foi criticado (de leve, mas foi) por ser “americano demais”.</p>
<p>A pergunta que fiquei me fazendo quando li isso, foi: queria que fosse humor inglês, mané? Qual é exatamente o problema de ser americano demais? Com a quantidade de séries, filmes e <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/?title=situation_comedy&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1" target="_blank"><strong>sitcoms</strong></a> que a gente consome diariamente na TV a cabo o conteúdo <strong><a href="http://www.avenidaq.com.br/" target="_blank"><strong>Avenida Q</strong></a></strong> está longe de ser inapreensível. Quem ri com Friends e Seinfeld, ri com o musical de Jeff Witty. E ri muito.</p>
<p>A maior prova de que o humor norte-americano já não precisa mais de adaptações está nas <em>gags </em>que na peça foram abrasileiradas e atualizadas para ficar<em> up to date</em> com as notícias do momento; quando fui, o Sarney era a bola da vez <em>(o que arrancou aplausos efusivos da parcela carioca-zona-sul-personagem-de-Manuel-Carlos da platéia)</em>. Se for pra citar algo que me incomodou na peça, foi isso. A cada vez que um personagem soltava um comentário sobre o Botafogo naquele cenário de prédios nova-iorquinos meu <em>willing suspension of disbelief</em> ia por água abaixo e eu soltava um suspiro de tédio.</p>
<p><strong>Fora isso, <span style="text-decoration:underline;">adorei a peça</span></strong>. Os bonecos realmente funcionam como vetores de nossa empatia. A desculpa para usá-los (quem deu foi o autor da peça) era de que eles seriam capazes de suavizar os temas pesados (para a plantéia do Wioming, de certo) e politicamente incorretos (isso sim é americano demais!).</p>
<p>Já me acostumei a essa “arte” do politicamente incorreto graças ao cinema independente produzido nos EUA. Boa parte dos filmes premiados em Sundance, ano após ano, orbitam esse universo de crítica comportamental/ideológica. E boa parte deles também comete o mesmo equívoco: o de tornar-se tão moralmente opressor quanto a moral que visa criticar. É mais ou menos o que acontece nos filmes do Todd Solondz (eu já falei que não gosto do Todd Solondz?), por exemplo, onde os personagens transitam na tela como meros títeres a serviço da vontade de denúncia do diretor.</p>
<p>Em <strong><a href="http://www.avenidaq.com.br/" target="_blank"><strong>Avenida Q</strong></a></strong>, no entanto, parece acontecer o contrário. É como se Witty partisse dos bonecos e dos clichês moralistas para dizer do homem, esse bichinho complexo e frágil, eternamente suscetível aos fantasmas do medo, da incerteza e, sobretudo, da solidão.</p>
<p>E eu adorei isso.</p>
<p>A peça deve ir para São Paulo depois daqui. Se liga-aê, ô paulistada!</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/663/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/663/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/663/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/663/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/663/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/663/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/663/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/663/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/663/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/663/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=663&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>cinco coisas que não sou, mas gostaria tanto de ser que arrisco</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 14:16:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fui convidado pelo Lessa para escrever sobre o tema acima, numa espécie de corrente blogueira que está rolando por aí. Não costumo participar dessas paradas (veja o caso do Romário, ludibriado pela tal pirâmide de sei-lá-o-quê!), mas como o Lessa é gente boa e me inspirou a começar a correr (por mais que eu tenha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=644&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Fui convidado pelo <a href="http://lessa27.blogspot.com/2009/07/cinco-coisas-que-nao-sou-mas-gostaria.html" target="_blank"><strong>Lessa</strong></a> para escrever sobre o tema acima, numa espécie de corrente blogueira que está rolando por aí. Não costumo participar dessas paradas (veja o caso do Romário, ludibriado pela tal pirâmide de sei-lá-o-quê!), mas como o Lessa é gente boa e me inspirou a começar a correr (por mais que eu tenha dado um tempo nesse projeto por conta da visita da minha irmã, que dura desde a semana passada e implica em muitos programas legais), aqui vai minha humilde contribuição.</em></p>
<p><em><strong>Vamos às </strong><strong>cinco coisas que não sou, mas gostaria tanto de ser que arrisco</strong></em>&#8230;</p>
<p><strong><a href="http://ababeladomundo.files.wordpress.com/2009/07/jodiefoster-taxidriver.jpg"><img class="size-full wp-image-647 alignleft" title="Jodie+Foster+-+Taxi+Driver" src="http://ababeladomundo.files.wordpress.com/2009/07/jodiefoster-taxidriver.jpg?w=259&#038;h=350" alt="Jodie+Foster+-+Taxi+Driver" width="259" height="350" /></a>Proxeneta</strong><br />
<em>Para Satisfazer meu lado Bukowski </em></p>
<p>Ao contrário de muitos amigos que atravessaram o atlântico para realizar o sonho impossível do jovem<a href="http://ababeladomundo.wordpress.com/2009/04/16/quero-ser-imigrante-em-coimbra/" target="_blank"> Bruno Aleixo</a>, que era ser imigrante em Coimbra, a mim nunca interessou morar na pátria mãe: sempre gostei mais da segunda opção de Aleixo: queria ser proxeneta. Desde criança, sempre tive um fascínio pelo universo feminino. Mulheres trocando de roupa, com a perna alçada na cadeira, fazendo as unhas dos pés, cheias de algodões entre os dedos. Gosto dos cheios femininos. Calcinhas, perfume, suor, sexo. Enquanto proxeneta, eu poderia participar de tudo isso e eventualmente dividir o leito com uma ou outra protegida, sem compromisso. Poderia encarnar minha porção Nelson Rodrigues e – de vez em quando, muito de vez em quando – dar uns tapas nas mais histéricas, só pra depois cobri-las de beijos e explicar que tudo que faço é para o bem delas. Faria a linha cafetão do bem e não hesitaria em deixar minhas pombinhas voarem (reparem que o canastrão já começa a mostrar as garras nessa metáfora infame) quando estivessem prontas – para um marido, para um emprego, para uma família ou para a indústria pornô. Elas adorariam trabalhar para mim.</p>
<p><strong> Leitor de Originais</strong><br />
<em>Para satisfazer meu lado meio intelectual, meio de esquerda</em></p>
<p>Quem me alertou para a existência desse emprego foi a Janine, mulher do Bruno (<a href="http://ababeladomundo.wordpress.com/2008/10/24/dialogos-o-emprego-ideal/" target="_blank">que já falou aqui sobre seu emprego ideal</a>). Ela tem uma amiga privilegiada que recebe uma boa grana para passar seus dias lendo originais encaminhados à editora por aspirantes a escritor. Não sei os motivos (e os caminhos) que a levaram a esse emprego, mas sei bem o que me leva a desejá-lo: seria um jeito delicioso de fazer algo que me agrada e ainda exercer aqueles aspectos mais sádicos de minha personalidade. Pensem no prazer de ter em suas mãos, por exemplo, o destino de um potencial Paulo Coelho. Você pode optar por sinalizar para o editor que o cara vederá mais que coca-cola no deserto (e ficar rico); ou pode simplesmente ignorá-lo depois da quinta frase (e dormir em paz, com a certeza do dever cumprido): o que você faria?</p>
<p><strong>Mochileiro Profissional</strong><br />
<em>Para satisfazer minha vontade de mundo </em></p>
<p>Queria trabalhar para uma dessas publicações, especializadas em viagens. Queria encontrar alguém louco suficiente para bancar minha volta do mundo em oito vezes oitenta dias. Transitaria por todos os cantos, becos, vielas, <em>calles</em>, canais. Tomaria o expresso do oriente, o trem da morte, trem bala. Atravessaria a <em>Route 66</em> de ponta a ponta e talvez descesse as cataratas do Niágara num barril. Seria, assim, um eterno estrangeiro, prolongando até o fim de meus dias aquele estado de espírito que só experimentamos no desterro. E tudo, então, seria uma eterna descoberta.</p>
<p><strong><a href="http://ababeladomundo.files.wordpress.com/2009/07/milesdavis.jpg"><img class="size-full wp-image-649 alignright" title="milesdavis" src="http://ababeladomundo.files.wordpress.com/2009/07/milesdavis.jpg?w=240&#038;h=337" alt="milesdavis" width="240" height="337" /></a>Trompetista</strong><br />
<em>Para satisfazer minha<a href="http://ababeladomundo.wordpress.com/2008/12/23/ah-se-eu-soubesse/" target="_blank"> vontade de arte</a></em></p>
<p>Se fosse <a href="http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&amp;videoid=28069&amp;searchid=0da846d1-2b44-47eb-80b7-07e1eb222558" target="_blank">trompetista</a>, montaria uma Jazz Band, viveria no Bronx e entraria naquela viagem do John Coltrane, de encontrar a iluminação através da música. Paradoxalmente, teria um comportamento autodestrutivo que deixaria as pessoas perplexas, incapazes de conciliar as imagens de minha genialidade no palco às de minha bestialidade na vida. Apreciariam meus concertos imersos num misto de melancolia e fascínio, aquele fascínio a um só tempo magnético e perturbador que emana do incompreensível. E minhas notas sairiam compulsivamente, do sopro contínuo e do bailado frenético de meus dedos negros. Meus olhos, ora vidrados, ora fechados, estariam <span style="text-decoration:underline;">sempre</span> no infinito. Eu daria às pessoas meu transe e lhes ofereceria, às quintas, sextas e sábados,  a possibilidade de sentir o verdadeiro fluxo da vida, o devir jazzístico que tomaria conta do palco, do ambiente, do bairro, do mundo. E ali eu estaria em paz, mais negro do que nunca, mais belo do que nunca, um solitário bem acompanhado pelos espíritos de <a href="http://blip.fm/profile/ababelado/blip/17675965/Miles_Davis-Nature_Boy" target="_blank">Davis</a>, Monk, Coltrane e – é obvio – Parker,<em> el perseguidor</em>.</p>
<p><strong> <a href="http://ababeladomundo.files.wordpress.com/2009/07/arqueiro_zen.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-650" title="arqueiro_zen" src="http://ababeladomundo.files.wordpress.com/2009/07/arqueiro_zen.jpg?w=163&#038;h=227" alt="arqueiro_zen" width="163" height="227" /></a>Arqueiro Zen</strong><br />
<em>Para satisfazer meu lado místico</em></p>
<p>Seria arqueiro zen para não lamentar a impossibilidade desses outros sonhos. Passaria meus dias dependendo cada vez menos de pessoas e coisas. Comeria arroz diariamente e, subiria montanhas nevadas para aperfeiçoar minha arte cavalheiresca até a exaustão e, aos poucos passaria a compreender os ritmos do<em> Tao</em>, livrando-me de pra sempre do véu de maya que faz com que tudo não passe de &#8220;vaidade e aflição de espírito&#8221;. E viveria em paz.</p>
<p style="text-align:center;">______ ***______</p>
<p><strong>A segunda parte é mandar a brincadeira para outros blogueiros. Lá vai a minha lista: </strong><a href="http://orebate-eduardoritter.blogspot.com/" target="_blank">O Rebate</a>,  <a href="http://alicevil.blogspot.com/" target="_blank">Ali se viu</a>, <a href="http://emterapia.wordpress.com/" target="_blank">Em Terapia</a>, <a href="http://lasreticencias.blogspot.com/" target="_blank">Las reticências</a>, <a href="http://semporque.blogspot.com/" target="_blank">Give me a reason</a>, e <a href="http://tatibithaty.spaces.live.com/" target="_blank">Chaty</a></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/644/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/644/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/644/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/644/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/644/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=644&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>pachamama</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 19:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cinema brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[documentário]]></category>
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		<category><![CDATA[globo repórter]]></category>
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		<description><![CDATA[Ontem fui à abertura da mostra Visões Periféricas, que está em cartaz no centro cultural da Caixa, aqui no Rio.
Exibiram o Pachamama, do Eryk Rocha, o filho do Glauber, que pelo “y” do nome, percebe-se, não nega as origens.
Confesso que eu não botava muita fé no filme. Não gosto muito dessa história de filho do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=632&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="alignleft" src="http://www.ladybugbrand.com/images/Pachamama_lg.gif" alt="" width="295" height="430" />Ontem fui à abertura da mostra <a href="http://www.visoesperifericas.org.br/" target="_blank"><strong>Visões Periféricas</strong></a>, que está em cartaz no centro cultural da Caixa, aqui no Rio.</p>
<p>Exibiram o Pachamama, do Eryk Rocha, o filho do Glauber, que pelo “y” do nome, percebe-se, não nega as origens.</p>
<p>Confesso que eu não botava muita fé no filme. Não gosto muito dessa história de filho do fulano, irmão do beltrano, mas vá lá, pensei: estou em frente à Caixa, em companhia de pessoas legais e em posse de um ingresso gentilmente doado por uma amiga bem relacionada, não custa nada entrar.</p>
<p>Estava morrendo de sono. Tinha dormido pouco na noite anterior graças à famigerada idéia de jogar um ‘cadinho de<a href="http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&amp;videoid=57272920&amp;searchid=5458c9a1-5884-498d-b453-5e0f8e4d529d" target="_blank"> inFamous</a> pra “relaxar” um pouco antes de dormir; sabe como é, uma fase leva a outra e quando você se dá conta já está combatendo o <em>big boss&#8230;</em> só isso me tomou uma boa hora e meia de vida antes de eu olhar para o relógio e lembrar, putz, hoje é segunda-feira.</p>
<p>Ou seja: não era pra eu estar ali, naquele cinema, às 19 horas de terça. A atitude mais sábia seria ter ido pra casa, jogado um pouquinho até as 9h e tomado o rumo da cama (especialmente com este frio que anda fazendo), mas não: eu insisti. Como castigo, tive de aturar uma penca de discursos cheios de embromação e papinho furado: dos organizadores da mostra, do patrocinador, da animadora de torcida e do filho do Glauber. (Por sorte, tinha comigo aquela edição deliciosa do Último Round, do Cortázar, que me ajudou a entrar no clima latino).</p>
<p><img class="alignright" src="http://1.bp.blogspot.com/_TH0tPEWzjXo/STEUf-TuEbI/AAAAAAAAAxE/L0-bOi1lPfQ/s320/pachamama.jpg" alt="" width="255" height="256" />Quando o filme começou, até gostei. Ou melhor,<strong> gostei muito</strong>. Apesar do evidente mau humor. Ao final da sessão, até discordei (em silêncio) dos comentários depreciativos de alguns espectadores desavisados e suas tiradas do tipo: “é como assistir a um Globo Repórter de duas horas sem o Sérgio Chapelin”. Eu sei que é maldoso, mas reconheça: foi engraçado.</p>
<p>Gracinhas à parte, o filme é bom mesmo. O percurso narrativo confirma as intenções declaradas pelo autor na primeira cena, quando ele afirma buscar um cinema do acaso, um<em> road movie</em> que surgisse da relação mesma com a estrada, com a idéia de viagem, de transição, de autodescoberta. E por aí vai. Se ficasse só no papinho jovem poeta e não confirmasse isso em imagens, o filme teria fracassado lindamente. Mas não. Ele vai por aí mesmo. O filme é bacana.</p>
<p>O que o espectador desavisado que citei a pouco não apreendeu do filme é que a diferenças entre o documentário e o Globo Repórter não é a ausência do Sérgio Chapelin, mas de uma tese. Comparar o filme de Eryk a uma matéria jornalística é o mesmo que comparar um turista a um mochileiro. O repórter e seus cinegrafistas sabem exatamente o que querem e buscam imagens para ilustrar seus discursos como um turista busca cartões postais para mostrar aos parentes; o documentarista e sua câmera passeiam de olhos bem abertos, primeiro vêem para depois contar suas histórias, como o mochileiro, para o qual o melhor da viagem está no virar da próxima esquina.</p>
<p>O objeto/sujeito do filme são os povos indígenas da região andina e a maneira como sua organização tem redesenhado o mapa geopolítico da região.</p>
<p>Para ler um texto que vá mais fundo na análise estética de Pachamama, vá à <a href="http://www.revistacinetica.com.br/pachamama.htm" target="_blank">Cinética</a>.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/632/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/632/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/632/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/632/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/632/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/632/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=632&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>don&#8217;t stop &#8217;till you get enough</title>
		<link>http://ababeladomundo.wordpress.com/2009/07/21/dont-stop-till-get-enough/</link>
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		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 16:41:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
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		<item>
		<title>how to be good &#8211; parte II</title>
		<link>http://ababeladomundo.wordpress.com/2009/07/21/how-to-be-good-parte-ii/</link>
		<comments>http://ababeladomundo.wordpress.com/2009/07/21/how-to-be-good-parte-ii/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 14:33:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
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Há alguns lugares no Rio de Janeiro que eu recomendo sem titubear. Um deles é o Amir, o restaurante árabe que fica ali na Ronald de Carvalho, pertinho da Praça do Lido, em Copacabana. O lugar já foi considerado “o melhor árabe” da cidade diversas vezes pela Vejinha e pelo Rio Show. Mas se vocês [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=618&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://img.ffffound.com/static-data/assets/6/38f1640f283af87a0525baa16e1b59420f97e53d_m.jpg" alt="" width="400" height="432" /></p>
<p>Há alguns lugares no Rio de Janeiro que eu recomendo sem titubear. Um deles é o <a href="http://www.amirrestaurante.com.br/scripts/index.asp" target="_blank"><strong>Amir</strong></a>, o restaurante árabe que fica ali na Ronald de Carvalho, pertinho da Praça do Lido, em Copacabana. O lugar já foi considerado “o melhor árabe” da cidade diversas vezes pela <em>Vejinha</em> e pelo <em>Rio Show</em>. Mas se vocês não confiam nesses guias culturais, acreditem em mim: o <a href="http://www.amirrestaurante.com.br/scripts/index.asp" target="_blank"><strong>Amir</strong></a> é, de fato, o melhor restaurante árabe do Rio. E se a gente considerar, além da comida deliciosa, o ótimo atendimento, o clima agradável e a possibilidade de fumar um <em>narguilé </em>com seus amigos depois de bater aquele pratão, vai entender por que considero o <a href="http://www.amirrestaurante.com.br/scripts/index.asp" target="_blank"><strong>Amir</strong></a> não apenas o melhor restaurante árabe do Rio, mas meu restaurante preferido.</p>
<p>Ontem a desculpa para ir até lá – se empanturrar de kibe cru, homus tahine e cuscuz marroquino com costela de cordeiro – foi a presença de minha irmã, no Rio. Na companhia de um amor e alguns amigos, passamos agradáveis três horas dentro do restaurante e, entre petiscos e taças de vinho, conversamos um bocado.</p>
<p>Minha irmã está estudando Relações Internacionais, no Espírito Santo. Já passou da metade do curso e está naquela fase de idéias fervescentes, quando a gente começa a ruminar possibilidades para a monografia ou trabalho de conclusão de curso.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://img.ffffound.com/static-data/assets/6/1134d51c30424c77a2bef74897165270691ad932_m.jpg" alt="" width="271" height="384" />Morta de fome, ela desembestou a falar, maritaca alucinada, sobre o que anda passando em sua cabeça em relação aos problemas do mundo e às duzentas-e-vinte-cinco teorias que buscam lhes fazer frente.</p>
<p>Em cinco minutos, esboçou seu pensamento dizendo que pretendia realizar uma análise construtivista da questão da América Latina, sem perder de vista as teorias cosmopolitas que emergiram na década de noventa no bojo do realismo pós-positivista fruto da Guerra Fria. Se bem me lembro, ela falou disso – em outras palavras&#8230; palavras  dispostas em outra ordem&#8230; ordem que dava a tudo outro sentido&#8230; sentido que a fome não me permitiu apreender.</p>
<p>O que importa é que, pouco antes do garçom nos trazer a primeira entrada (charutinhos de folha de uva: delicioso), estávamos discutindo a estrutura do estado moderno e divagando acerca da inviabilidade do discurso cosmopolita num mundo regido pela lógica do capital.</p>
<p>Minha tese, que muitos dizem pessimista, é de que deveríamos parar de incentivar o desenvolvimentismo industrialista nos países de economia emergente e iniciar nos países desenvolvidos um processo de desaquecimento – da economia e do clima.</p>
<p><img class="alignright" src="http://img.ffffound.com/static-data/assets/6/8fb809249ddd6921361ac91156f97b699c2868e5_m.jpg" alt="" width="238" height="315" />A idéia é um acordo nestes termos: tudo bem, a gente pára de queimar a Amazônia e estimula o turismo ecológico (e responsável) entre as comunidades ribeirinhas e vocês param de queimar petróleo, de comprar carros grandes e de gastar água alucinadamente. Grosso modo, é isso.</p>
<p>Todos na mesa (eu, inclusive) concordaram que isso nunca iria acontecer. Prova disso é que estávamos nós ali, lamentando a brutalidade dos conflitos na faixa de gaza e enchendo a pança de comida árabe. Se a gente, que se acha legal, não tem peito pra fazer essa escolha, que dirá os norte-americanos, que a gente aprendeu a ver como bad guys!</p>
<p>Vi que o brilho nos olhos foi aos poucos desaparecendo do rosto de minha irmã. Tinha sido infectada pelo vírus do cinismo, que eu espalhara pelo ambiente. E agora só nos restava comer.</p>
<p>Tive pena dela. E de mim.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/618/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/618/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/618/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/618/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/618/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=618&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>oh, Mama, can this really be the end?</title>
		<link>http://ababeladomundo.wordpress.com/2009/07/20/oh-mama-can-this-really-be-the-end/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 Jul 2009 16:19:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A melhor decisão é não ter que decidir. Li essa frase no Tudo se Ilumina, mas acho que, muito antes disso, já a tinha como referência para minha vida. Na sexta-feira, quando decidi finalmente comprar o ingresso para o show da Cat Power no Rio e descobri que eles já estavam esgotados, tive certeza: esse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=606&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A melhor decisão é não ter que decidir. Li essa frase no <strong><a href="http://ababeladomundo.wordpress.com/2009/07/07/tudo-se-ilumina/" target="_blank">Tudo se Ilumina</a></strong>, mas acho que, muito antes disso, já a tinha como referência para minha vida. Na sexta-feira, quando decidi finalmente comprar o ingresso para o show da Cat Power no Rio e descobri que eles já estavam esgotados, tive certeza: esse é meu lema.</p>
<p><img class="alignright" src="http://jotpuree.com/images/photo/04_Fall_CMU/richard_avedon_portrait_catpower.jpg" alt="" width="286" height="363" />Tinha mais de mês que eu sabia dessa apresentação. Fiquei empolgadíssimo quando soube. Com a ajuda do <a href="http://blip.fm/ababelado" target="_blank"><strong>blip</strong></a>, fiz um périplo demorado pela discografia da cantora e acabei desenvolvendo uma obsessão por sua versão de <a href="http://blip.fm/profile/ababelado/blip/17257295" target="_blank"><strong>Stuck Inside Of Mobile With The Memphis Blues Again</strong></a>, do Dylan, que fez com que muita gente aqui no trabalho se pegasse cantarolando, sem perceber:  <a href=";"><span style="color:#ababab;">♫</span></a><em>Oh, Mama, can this really be the end?</em><a href=";"><span style="color:#ababab;">♫</span></a><br />
<a href=";"></a><br />
Nessa onda, falei do show com uma porção de gente, muitas das quais nem sabiam o que a Cat “ex-Chan-Marshall” Power andava tocando ou simplesmente perguntavam: “Cat o quê?”</p>
<p>Mas algumas ficaram realmente interessadas. Uma delas foi o Érico-vulgo-Nêgo-Véio, que me ligou na sexta-feira às 3 horas da tarde, intimando: “E aí, vai lá na Cat Power?”</p>
<p>Mal sabia ele que eu já tinha passado pela fase da empolgação, que feneceu um pouco quando eu soube que o show seria na HSBC Arena (tipo, longe pra cacete), o mesmo lugar que, há pouco tempo, falara à minha alma preguiçosa e me impedira de ir à apresentação de Bob Dylan, com a ajuda da minha consciência, que ficava perguntando: <em>você vai mesmo pagar R$ 400 reais pra ver o show do cara que você aprendeu a amar porque era um beat que lia Kerouac e falava em andar por aí like a rolling stone? <strong>How does it feel?</strong></em><strong> </strong></p>
<p>A segunda fase do empreguiçamento veio quando se foi o primeiro lote de ingressos e eu achei que eles tinham mesmo terminado. Só fui descobrir que ainda havia tíquetes disponíveis na quinta passada, quando já estava convencido a deixar a Cat pra lá (do Riocentro). E estava realmente mui resoluto, até ler <a href="http://donttouchmymoleskine.wordpress.com/" target="_blank">um texto incrível da Dani Arraes</a>, falando da ex-Chan com uma paixão tão, mas tão, mas tão comovedora que me fez querer um pouco daquilo que ela tinha com a Cat. Foi quando o Nêgo Veio ligou e eu, que já estava balançado outra vez, tive uma recaída. E entrei na internet enquanto falava com ele ao telefone. E achei o banner do show e cliquei e comprar e&#8230;</p>
<p>&#8230; descobri que os ingressos a preços acessíveis tinham acabado de acabar. E que se eu quisesse mesmo ir teria de pagar coisa de R$ 280 por uma cadeira, além do táxi e isso tudo me remeteu ao dilema do Dylan.</p>
<p>E foi assim, não decidindo, que eu decidi não ir ao show da Cat Power. E embora eu ache que a apresentação deve ter sido linda, sei que não me diria tanto ao coração quando deve ter dito a pessoas como a Dani, por exemplo.</p>
<p><strong>EPÍLOGO</strong></p>
<p>Hoje, conversando com alguns colegas que foram ao show, descobri que havia ingresso, sim. Que tava bem vazio, que dava pra comprar na bilheteria e os cambistas estavam entregando tudo a preço de banana.  Bom saber que isso acontece&#8230;</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ababeladomundo.wordpress.com/606/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ababeladomundo.wordpress.com/606/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ababeladomundo.wordpress.com/606/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ababeladomundo.wordpress.com/606/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ababeladomundo.wordpress.com/606/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ababeladomundo.wordpress.com/606/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ababeladomundo.wordpress.com/606/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ababeladomundo.wordpress.com/606/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ababeladomundo.wordpress.com/606/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ababeladomundo.wordpress.com/606/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=606&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>tinha um sebo no meio do caminho, no meio do caminho tinha um sebo</title>
		<link>http://ababeladomundo.wordpress.com/2009/07/12/tinha-um-sebo-no-meio-do-caminho-no-meio-do-caminho-tinha-um-sebo/</link>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 04:13:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acordei cedo hoje. Por cedo, entenda-se: antes das 10 horas. Isso não acontece todo sábado. Pra falar verdade, isso quase nunca acontece aos sábados. A sensação é boa, essa de sentir que dormi o bastante e ainda assim há tempo de sobra para fazer coisas como: terminar o livro do Nick Hornby; lavar a louça; [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=580&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="alignleft" src="http://www.artsjournal.com/bookdaddy/Home_Photo_books.jpg" alt="" width="311" height="362" />Acordei cedo hoje. Por cedo, entenda-se: antes das 10 horas. Isso não acontece todo sábado. Pra falar verdade, isso quase <em>nunca</em> acontece aos sábados. A sensação é boa, essa de sentir que dormi o bastante e ainda assim há tempo de sobra para fazer coisas como: terminar o livro do Nick Hornby; lavar a louça; tomar café em frente à TV pensando: “Por que – diabos – a Xuxa ainda tem um programa numa rede nacional de televisão?!”.</p>
<p>Depois dessa reflexão importante, só me restava viver. E foi o que fiz. Saí para almoçar com um pessoalzinho aí que eu amo e depois recusei o convite para um passeio no Leblon(meu projeto de vida saudável ainda não inclui passeios na praia, que dirá, no Leblon) e parei numa loja de eletrodomésticos para comprar um liquidificador.</p>
<p>A compra foi rápida e eu deveria estar de volta ao meu apartamento mais ou menos às 14 horas. E estaria, se não tivesse avistado aquele sebo do qual Orlando me falava há décadas e que, há meses, fora elogiado também pelo Burger e, bem, o resto você já pode adivinhar: não resisti às promoções e acabei comprando uma porção de coisas legais.</p>
<p>Tipo <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/busca/busca.asp?palavra=O+baile+da+vit%F3ria&amp;tipo_pesq=titulo&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=508433F&amp;uid=&amp;limpa=0&amp;parceiro=IOTEOR&amp;x=0&amp;y=0" target="_blank">O Baile da Vitória</a></strong>, do Antônio Skarmeta, o chileno autor de O Carteiro e o Poeta, que eu já tinha lido na época da faculdade. Posso explicar essa compra: sábado passado, quando comemorávamos meu aniversário na varanda do seu Jorge – que além de gaúcho, é meu pai –o Joca (amigo capixaba que eu fui conhecer direito no Rio e depois acabou voltando para Vitória e de vez em quando faz comentários aqui) voltou a falar comigo sobre o Chile.</p>
<p>Ele e a Andréia, sua esposa, estão definitivamente apaixonados pela terra de Nerura e pretendem morar lá depois da aposentadoria. Como bom virginiano, Joca já organizou até um <a href="http://www.chile-brasil.blogspot.com/" target="_blank">blogue </a>onde reunirá informações variadas sobre a terra de Neruda, contando, inclusive, com colaborações de terceiros que, como ele, nutrem algum tipo de carinho por aquele filetinho de terra paradoxalmente encantador. Como ele disse que o blogue aceita desde fotografias e comentários impressionistas até pitacos sobre a literatura e o cinema chilenos, pensei em ajudar com um comentário sobre o livro do Skármeta, já que Neruda eu passo, muito obrigado.</p>
<p>Outro livro adquirido foi do Joaquim Manoel de Macedo, aquele autor de <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=54805&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=277DFB3D&amp;uid=" target="_blank">A Moreninha</a></strong>, que todo mundo lê na escola. Chama-se <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/busca/busca.asp?palavra=Um+passeio+pela+cidade+do+Rio+de+Janeir&amp;tipo_pesq=titulo&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=F01F270&amp;uid=&amp;limpa=0&amp;parceiro=IOTXAE&amp;x=18&amp;y=8" target="_blank">Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro</a></strong>. À medida que fui tomando gosto pelo Rio, a vontade de ler sobre a cidade foi aumentando. O livro do Macedo, publicado em forma de folhetim (às vezes acho que o folhetim era o blogue do século XVIII), se passa em diversos cenários do Rio que ainda permanecem mais ou menos intactos, como o Paço Imperial, o Passeio Público e o Convento de Santa Tereza. Como na leitura de escritores clássicos da língua portuguesa a gente sai logo pelo contato enriquecedor com a linguagem e o estilo de antanho (por mais que a história seja uma maçada), creio que o livro não será de todo ruim. O livro é novo. Ponta de estoque. Como todos que comprei, custou dez reais. Uma bagatela.</p>
<p>Teve ainda dois livros do Roberto Drummond (<strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=619486&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=265B2D63&amp;uid=" target="_blank">A Morte de D.J. em Paris</a></strong> e <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=11020148&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=265B2D63&amp;uid=" target="_blank">Hilda Furacão</a></strong>) e dois do Rubem Fonseca, um da fase boa e outro da ruim: <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/busca/busca.asp?palavra=O+caso+Morel&amp;tipo_pesq=titulo&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=1DD37571&amp;uid=&amp;limpa=0&amp;parceiro=IOTEOO&amp;x=19&amp;y=12" target="_blank">O caso Morel</a></strong> e <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/busca/busca.asp?palavra=Ela+e+as+mulheres&amp;tipo_pesq=titulo&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=2315EB67&amp;uid=&amp;limpa=0&amp;parceiro=IOTRTR&amp;x=16&amp;y=18" target="_blank">Ela e as mulheres</a></strong>. Eu sei, eu sei, o Rubem Fonseca anda um porre, mas ele está entre aquelas coisas que a gente coloca ao lado do sexo e da pizza: mesmo quando é ruim, é bom. Do Roberto Drummond eu tinha lido apenas o <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=169765&amp;sid=8715178311171315759512474&amp;k5=349B5BD7&amp;uid=" target="_blank"><strong>Sangue de Coca-cola</strong></a> e nem gostei tanto assim. Mas eu era muito jovem. Quase bobo. Resolvi dar mais uma chance ao cabra, lendo <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=619486&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=265B2D63&amp;uid=" target="_blank">A morte de D.J. em Paris</a></strong>. <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=11020148&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=265B2D63&amp;uid=" target="_blank">Hilda Furacão</a></strong>, eu confesso: comprei por causa da Ana Paula Arósio mesmo, o que prova que continuo meio bobinho.</p>
<p>Comprei outras coisas bacanas. Sempre a dez reais ou menos. Mas não vou falar de tudo agora, pra não me alongar. Comento à medida que for lendo. Dependendo do lugar que eles ficarem na pilha, obviamente.</p>
<p>Agora vou ler <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/busca/busca.asp?palavra=Sinfonia+em+Branco&amp;tipo_pesq=titulo&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=2847D879&amp;uid=&amp;limpa=0&amp;parceiro=IOTAPG&amp;x=31&amp;y=11" target="_blank">Sinfonia em Branco</a></strong>, da Adriana Lisboa, pra ver se ela conseguiu manter a mão que me encantou em <strong><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/busca/busca.asp?palavra=Os+Fios+da+Mem%F3ria&amp;tipo_pesq=titulo&amp;sid=8715178311171241971902760&amp;k5=17ED518C&amp;uid=&amp;limpa=0&amp;parceiro=IOTJTR&amp;x=30&amp;y=9" target="_blank">Os Fios da Memória</a></strong>. Ah, talvez um dia eu comente as semelhanças entre o primeiro livro dela e o primogênito do Safran Froer. Talvez.</p>
<p>Em tempo: o sebo fica aqui no Catete, naquela rua ao lado do Ponto Frio que tem aqui na rua&#8230; do Catete. É pertinho do Largo do Machado.</p>
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		<title>adeus, velho safado</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 20:31:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Despensando]]></category>
		<category><![CDATA[boêmia]]></category>
		<category><![CDATA[bukowski]]></category>
		<category><![CDATA[corrida]]></category>
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Eu quero mudar. Sei que os leitores mais assíduos do blogue vão duvidar disso. Sei que aqueles que me conhecem vão rolar no chão, às gargalhadas. Mas é sério. Eu quero levar uma vida mais saudável. Minimamente mais saudável. E quem me conhece sabe a dedicação e a força de vontade que isso exigirá de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ababeladomundo.wordpress.com&blog=3336351&post=570&subd=ababeladomundo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://ababeladomundo.files.wordpress.com/2009/07/bukowski-words.gif"><img class="size-full wp-image-576 alignnone" title="Bukowski-Words" src="http://ababeladomundo.files.wordpress.com/2009/07/bukowski-words.gif?w=426&#038;h=424" alt="Bukowski-Words" width="426" height="424" /></a></p>
<p>Eu quero mudar. Sei que os leitores mais assíduos do blogue vão duvidar disso. Sei que aqueles que me conhecem vão rolar no chão, às gargalhadas. Mas é sério. Eu quero levar uma vida mais saudável. Minimamente mais saudável. E quem me conhece sabe a dedicação e a força de vontade que isso exigirá de mim.</p>
<p>Sou um sedentário de carteirinha. Há mais ou menos 10 anos, substituí os exercícios, que incluíam partidas semanais de futebol, braçadas nas águas geladas da enseada azul e corridas de ida e volta na areia fofa da Praia do Morro por hábitos mais prazerosos e fatais, como comida farta, bebidas cigarros e mulheres (com muita, muita ênfase nos três primeiros itens, mais por incompetência que por opção).</p>
<p>De certa forma, tomei gosto pela vida boêmia. E, sobretudo, tomei gosto pela aura que saía dela. Essa coisa hedonista de livros, noitadas e embriaguês tem realmente um charme. Sobretudo quando se é jovem e se tem uma vida toda pela frente para se endireitar (engraçado como a idade faz a gente querer se <em>endireitar</em>) quando as coisas começarem a dar errado.</p>
<p>Acontece que eu não tenho mais <em>a vida toda</em> pela frente. E algumas coisas já começaram a dar errado. Por exemplo? Faz três semanas que lido com bizarrices mais ou menos incômodas. Mais ou menos, não. Extremamente incômodas. Primeiro foram as inflamações subcutâneas que pipocaram em meu rosto: foram três espinhas, imensas, horrendas, dolorosas. Atribuí seu aparecimento a um possível estresse, a uma reação psicossomática a algum tipo de insatisfação existencial que, oprimida pelo meu racionalismo superprotetor, resolvera dar as caras na cara. “Tudo bem”, pensei. “Eu posso lidar com isso. Deve ser o álcool saindo, haha”.</p>
<p>Mas depois eu relaxei. Meu aniversário foi ótimo, estava tudo em paz, tudo tranqüilo, cheio de paz e harmonia&#8230; quando espocou o terçol. O primeiro em 28 anos de aporrinhação. O primeiro, em 28 anos de crises existenciais e pirações. O primeiro. Bem quando eu estava bem, veio o primeiro.</p>
<p>Havia alguma coisa errada. E não era só estresse.</p>
<p>Estou tratando o bichinho. Fui ao oftalmologista ontem. Depois de fazer uma cara de assustado e me repreender por não tê-lo consultado antes, o cabra receitou-me um colírio e uma pomada oftalmológica, que, de ontem pra hoje, já parecem ter surtido algum efeito. Por um momento, hoje de manhã, pensei: “Beleza, semana que vem, já posso voltar à lama”.</p>
<p><img src="http://erickmartorelli.files.wordpress.com/2009/03/bukowski018.jpg?w=376&#038;h=287" alt="" width="376" height="287" /></p>
<p>Mas aí eu resolvi refletir. E refletindo, cheguei às conclusões esboçadas no primeiro parágrafo: eu quero mudar. Como disse a Helena, quando falei de minha vontade de saúde, ela foi direta: “Essa linha Bukowski não tem mais graça”. Na mosca. Era isso mesmo que eu precisava ouvir. Algo que já percebera faz tempo, mas que ficava tentando ocultar de mim mesmo, para sustentar o personagem.</p>
<p>É isso, povo. Sejamos honestos: eu estou longe de ser um Bukowski, seja no talento, seja no estilo de vida. Não sou nem tão boêmio, nem tão velho, nem tão safado. Não sou alemão, sequer estava vivo nos anos 60 e, atualmente, estou longe de ser um vagabundo iluminado, cheio de poesia e de fome. Reconheçamos (vá lá, eu sei que vocês já sabem disso, mas deixem-me fingir que estou contando uma novidade): sou apenas um trabalhador ordinário, que durante oito horas de seu dia lida com tarefas mais ou menos inúteis, que não fazem diferença nem para o mundo (acho que o emprego ideal é aquele capaz de alterar os rumos da história), nem para a empresa (o que faço não tem impacto algum na atividade fim) e nem <strong><em>para mim</em></strong> (porque em geral as coisas que faço não exigem muito esforço criativo ou inteligência). Logo, qual é a graça de encarnar o Bukowski? Qual é a graça de entrar num espiral autodestrutivo toda vez que acaba o expediente? Qual é a graça de ser meio <em>cronópio </em>y meio <em>fama</em>? Isso é esquizofrenia!</p>
<p><img src="http://armswideopen.files.wordpress.com/2008/12/forrest-gump-running-beard.jpg?w=392&#038;h=164" alt="" width="392" height="164" /></p>
<p>Foi seguindo essa lógica que decidi: quero começar a correr. Faz tempo que leio sobre corrida e fiquei particularmente tocado com o <a href="http://lessa27.blogspot.com/2009_05_01_archive.html" target="_blank">texto de um colega de trabalho</a>, que adquiriu esse hábito e, de certa forma, usa-o como contraponto à vida bandida do escritório. Hoje mesmo eu vinha falando no assunto quando abri o blogue do Antônio Prata e estava lá <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/?title=meus_lugares&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1" target="_blank">este texto</a>, sobre corrida, e aí decidi que isso era um sinal (sou meio místico mesmo). Vou começar a correr.</p>
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